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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Yeda volta a ser ré em ação do Detran



A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), não está imune à Lei de Improbidade Administrativa. O ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), deu decisão favorável a recurso do Ministério Público Federal para definir que a Lei n. 8.429/92 é aplicável também aos agentes políticos, o que inclui a governadora – acusada de envolvimento em um caso de improbidade que tramita na Justiça Federal.

A ação de improbidade, movida pelo Ministério Público na Justiça Federal de Santa Maria (RS), foi consequência de operação policial que apontou desvio de recursos no Detran gaúcho, entre 2003 e 2007. Segundo se informou na época da operação, as fraudes alcançariam o valor de R$ 44 milhões. Além da governadora, foram acusadas mais oito pessoas, entre elas o marido dela, Carlos Crusius, e três deputados.

A governadora recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, alegando que a Lei de Improbidade não seria aplicável aos agentes políticos, os quais apenas estariam sujeitos a responder por crime de responsabilidade, tratado em lei específica (Lei n. 1.079/1950). O Tribunal Regional acatou a tese dos advogados da governadora, que assim deixou a condição de ré na ação de improbidade. O Ministério Público entrou, então, com recurso no STJ.

Ao analisar o caso, o ministro Humberto Martins afirmou que a decisão do Tribunal Regional “foi proferida em claro confronto com a jurisprudência do STJ, na medida em que o entendimento aqui encampado é o de que os termos da Lei n. 8.429/92 aplicam-se, sim, aos agentes políticos”. Ele disse que essa posição vem sendo adotada por ambas as turmas julgadoras do STJ que tratam de direito público – a Primeira e a Segunda Turmas.

Num dos precedentes citados pelo relator, a Primeira Turma manifestou-se no sentido de que “o caráter sancionador da Lei n. 8.429/92 é aplicável aos agentes públicos que, por ação ou omissão, violem os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, lealdade às instituições e, notadamente, importem em enriquecimento ilícito, causem prejuízo ao erário público e atentem contra os princípios da administração pública, compreendida nesse tópico a lesão à moralidade administrativa”.

(Da assessoria do STJ)

Adendo:
Yeda Crusius foi acusada pelo Ministério Público Federal de integrar uma quadrilha criminosa instalada no aparelho de Estado. Além da governadora, a ação civil pública de improbidade administrativa denunciou: Carlos Crusius (ex-marido da governadora), José Otávio Germano (deputado federal do PP que foi secretário estadual de Segurança no governo Germano Rigotto; segundo a Operação Rodin, a fraude teria iniciado em 2003 durante o governo do peemedebista Rigotto); Luiz Fernando Zachia (deputado estadual do PMDB); Frederico Antunes (deputado estadual do PP), João Luiz Vargas (então presidente do Tribunal de Contas do Estado); Rubens Bordini (vice-presidente do Banrisul e ex-tesoureiro da campanha de Yeda) e Walna Villaris Meneses (assessora de Yeda Crusius).
Segundo o MPF, “os demandados agiram de forma imoral, pessoal, desleal, desonesta e ímproba, valendo-se da condição de ou em conjunto com agentes políticos e servidores públicos para obterem vantagens pessoais, utilizando-se dos respectivos cargos, de bens públicos e verbas públicas afetadas ao desenvolvimento de serviços públicos em área sujeita às suas atribuições funcionais e políticas.”

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"Chefe do terreiro" pede afastamento

Pressionado por acusações de integrar um esquema de desvio do Detran-RS (Departamento Estadual de Trânsito), o presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Rio Grande do Sul, João Luiz Vargas (também chamado por seus colegas réus no processo originado pela Operação Rodin como "chefe do terreiro"), pediu afastamento para realizar exames médicos.
Segundo a assessoria de imprensa do TCE, Vargas sofreu uma arritmia cardíaca na segunda-feira e foi atendido em hospital de Santa Maria (RS), município onde tramita a ação que visa a recuperar os R$ 44 milhões que uma turma de nobres cavaleiros (e damas) teria desviado dos cofres públicos e investido em seus próprios domínios.
Com pedido de afastamento pelo prazo de oito dias, o amigo de Antonio Dornéu Maciel e cia., com trânsito com a governadora Yeda (segundo a peça acusatória do MPF) encontra-se em recuperação em sua cidade natal, São Sepé.
O "chefe do terreiro" (segundo Dornéu Maciel) foi acusado pelo Ministério Público Federal de ser um dos beneficiários e articuladores da fraude multimilionária contra o Detran gaúcho. Além de Vargas, a denúncia da Procuradoria também aponta como responsáveis pela fraude a governadora Yeda Crusius (PSDB), seu (ex?) marido Carlos Crusius, sua assessora especialíssima Walna Vilarins, deputados do calibre de José Otávio Germano, Luiz Fernando Záchia e Frederico Antunes e ainda Rubens Bordini (vice-presidente do Banrisul) e Delson Martini (ex-secretário da tucana, adquirente do Passatão de Yeda, colecionador de obras como telas de Iberê Camargo e de Gotuzzo e feliz proprietário de um automóvel Jaguar). Todos, obviamente,envolvimento com o desvio.
A ação de improbidade resultou no bloqueio dos bens de João Luiz Vargas em agosto. Na semana passada, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do "chefe do terreiro", como carinhosamente chamado por Maciel).
A situação do conselheiro é considerada politicamente delicada dentro do TCE. Nos bastidores, conselheiros ouvidos defendem o afastamento definitivo do presidente afirmando que sua permanência, na condição de investigado, gera desgaste ao tribunal. Este que vos escreve também conversou pessoalmente com auditores, que por vezes se dizem constrangidos quando vão executar sua missão. "Vocês deviam auditar a presidência, lá", já escutou certa feita um dos auditores.
Segundo a reportagem da Folhapress, a assessoria de Vargas disse que ele não se manifestaria sobre as acusações. O advogado André Cézar, que o defende, não respondeu recados deixados pela reportagem daquela agência noticiosa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A ação do MPF na íntegra

Todo mundo bufava que a ação pública, apesar de pública, não era franqueada ao público (arre!!!). Buenas, a pouco, algum maluquete vazou o conteúdo na íntegra, e este Mídia ao Avesso já chupou o material e disponibilizou pra vocês.

Não têm o que fazer? A programação da TV tá uma merda? Então, baixe e leia as 1.239 páginas que expõem as vísceras da corrupção no Estado.

Li a primeira das cinco partes, onde fica patente o esforço do presidente do Tribunal de Contas do Estado (!!!) em fazer politicagem, aliciando deputados pra participarem da CPI do Detran. Além de umas coisinhas indecentes pra quem ocupa cargos em que se exige uma certa liturgia. Ou as pressões para que se "fale com o Nelson" pra mídia bater menos...

Seguem dicas de algumas das páginas interessantes:


pags. 83 e 84 Conversa gravada entre Busatto e Feijó. Lendo o texto do MPF, fica claro que os peixes grandes devem "agradecer" a Busatto por terem sido pegos

pag. 182 João Luis Vargas: "um amigo meu se matou, um guri, um bobalhão.. com 21 anos"

pag. 194 verdadeira confissão da participação nos desvios: Zé Otávio e Maciel
"Tem que pegar um grupo aí que não esteja diretamente envolvido e ir lá falar com o Nelson (RBS)"

pag. 197 e 198: "baixinho, de cabeça redonda, enrolado com a mulher, vai ser titular da CPI e vai ser parceiro". Pra mim, isso é sobre um deputado que tá traindo a mulher, e que tá sendo pressionado pra ficar ao lado deles

pag. 200: JLV fez pressão no PDT e colocou na CPI Adroaldo Loureiro e Gerson Burmann

pag. 213-214: JLV faz pouco da AL e do deputado Marquinho (virou homem, mas pra ser cidadão ainda falta um pouco)

pag. 223: Maciel e JLV: "cortou o cabelo, emparelhou a barba; deixou de ser aquele nego bagaceiro..."

pag. 227: Vaz Netto: "vou fuder com o governo, esses filhas das putas"

pag. 228-229 : "Gremio queria comprar Rafael Sobis" (opa, isso até hoje eu não sabia. Roubar meu Estado até pode, mas levar um colorado pro Olímpico? Aí já é demais. CPI neles!!!


ah, os arquivos:


http://www.jornalagora.com.br/downloads/MPFxYeda001.pdf
http://www.jornalagora.com.br/downloads/MPFxYeda002.pdf
http://www.jornalagora.com.br/downloads/MPFxYeda003.pdf
http://www.jornalagora.com.br/downloads/MPFxYeda004.pdf
http://www.jornalagora.com.br/downloads/MPFxYeda005.pdf

quinta-feira, 9 de julho de 2009

O recuo de Magda?

Aguardava-se pra hoje na Assembleia o depoimento de Magda Koenigkan, viúva do ex-assessor de Yeda, Marcelo Cavalcante, que sabia demais (e acabou no fundo do lago Paranoá). Mas, segundo informa ZH, mesmo afirmando ter farto material comprobatório sobre o escândalo que paralisa o governo gaúcho, Magda teria recuado ontem, dizendo que "manterá o silêncio em respeito ao trabalho do MPF". A ida ao parlamento guasca não deve passar, então, de mera visita.
Quem sabe os flashs e toda a exposição na mídia a tenham atraído. Ou a óbvia baixa temperatura das águas do Guaíba neste nosso inverno a tenham feito pensar duas vezes.

Enquanto isso, um pouco de nostalgia, com a balada de Bonnie & Clyde, por Georgie Fame e a banda Blue Flames (1968). Ao menos os bandidos de antigamente rendiam obras-primas da sétima arte. Hoje, dariam no máximo um filme B.