Mostrando postagens com marcador sionismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sionismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Deus e "os escolhidos"

Rabino Dov Lior


AVISO: postagem sobre extremismo religioso. Se não interessa, simplesmente ignore.

Dia desses li (e comentei no Facebook) declaração de um pré-candidato à presidência dos EUA (Mitt Romney), que alegou que Deus (Ele, o próprio) teria escolhido aquele país pra “comandar o mundo”. E por isso (em nome d'Ele), iriam à guerra sempre.

Agora, li uma outra grande asneira do mesmo gênero (nem dá pra dizer que é pior, embora até pareça, já que ambas usam como fundamentos a mesma lenga-lenga de sempre: “somos os escolhidos”). Segundo este texto, um rabino israelense chamado Dov Lior prega um “édito talmúdico” (uma “lei” religiosa antiga) que libera o assassinato de não-judeus.

O texto diz que, na cabeça doentia desse rabino, até as crianças não judias devem ser mortas, “porque não há inocentes na guerra”. A ideologia dele prega ainda que “ainda que sejam pacificados e ‘passem a respeitar a lei’, os não judeus devem ser escravizados para ‘carregar água e cortar lenha’, a serviço dos senhores da raça superior”.

Estranho, parece que já se ouviu, na boca de outros maníacos do passado, esse papinho de "raça superior"!

Pois bem, como não saio acreditando em tudo que leio, fui procurar mais a respeito do tal Rabbi Dov Lior. Cheguei, então, a uma reportagem recente do Ha'aretz (jornal israelense), a qual, infelizmente, parece comprovar a informação. E mais: diz que (assim como Mitt Romney nos EUA) o infeliz rabino não é um simples maluquete radical, mas um líder influente e respeitado.

A coisa chega ao ponto de os principais partidos da coalizão do atual governo Netanyahu quererem propor uma chamada “Lei Dov Lior”, que garantiria a loucos como ele saírem pregando assassinatos e racismo por aí, sem serem “incomodados” pela lei. Segundo eles, a Torah (bíblia do judaísmo) está acima de qualquer lei humana.

Resumindo: se Deus disse que os judeus são a raça superior, que prometeu Jerusalém a eles, e que o resto (os não-judeus, inclusive eu e talvez você) tem estatuto equivalente a “bestas de carga”, então tá falado! É isso mesmo?

Eita mundinho cada vez mais perigoso, esse nosso!


PS 1: nada tenho contra judeus em geral, mas sim contra este tipo de interpretação extremista vinda de grupos que parecem ganhar força ultimamente.

PS 2: gostaria que as “patrulhas sionistas” que enchem meu saco por e-mail dissessem apenas se discordam do rabino em questão, ao invés de se limitarem a fazer ameaças veladas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Racismo oficial

Por diversas vezes este blog tem se manifestado contra os abusos perpetrados por Israel. As vergonhosas ações se tornam ainda mais sem sentido quando se lembra (e não há como esquecer) o que o povo judeu sofreu durante o Holocausto.
Fiquem com o texto e tirem suas próprias conclusões:

Sobreviventes do Holocausto criticam rabinos que proibiram aluguel a árabes

GUILA FLINT
DE TEL AVIV PARA A BBC BRASIL

O presidente da Associação Internacional dos Sobreviventes do Holocausto, Noah Flug, condenou nesta quinta-feira um grupo de cerca de 50 rabinos-chefes de cidades israelenses que assinou um decreto proibindo judeus de alugarem imóveis para cidadãos árabes.

Flug exigiu que os rabinos retirem imediatamente o decreto e afirmou que ficou chocado com a declaração. "Como judeu que sofreu o Holocausto, lembro-me de como os nazistas alemães expulsaram os judeus de seus apartamentos e dos centros das cidades para criar guetos", disse ao site de notícias israelense Ynet. "Pensávamos que no nosso país isso não iria acontecer, isso é especialmente difícil para alguém que passou pelo Holocausto", acrescentou.

No decreto, os rabinos signatários ameaçam isolar da comunidade os que violarem a ordem.

O Museu do Holocausto em Jerusalém, Yad Vashem, também publicou um comunicado condenando a posição dos rabinos. De acordo com o museu, o decreto dos rabinos é "um golpe duro para os valores básicos de nossas vidas como judeus e como um povo que vive em um país democrático".
Segundo pesquisa do Israel Democracy Institute publicada no mês passado, 46% dos cidadãos judeus israelenses não gostariam de ter vizinhos árabes, e 39% não gostariam de morar perto de trabalhadores imigrantes ou com doenças mentais [o que mostra que os rabinos não estão sozinhos em suas ideias de apartheid]. Há cerca de 1,3 milhão de árabes vivendo em Israel (em sua maioria palestinos que permaneceram no território após a criação do Estado), que representam um quinto da população.

CRÍTICAS

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, criticou o decreto dos rabinos, afirmando que "não há lugar em um Estado democrático para esse tipo de pronunciamento". Na quarta feira, após a divulgação do decreto, cerca de 150 pessoas se manifestaram em Jerusalém, em frente à sinagoga principal da cidade, levantando cartazes com os dizeres: "decreto dos rabinos = blasfêmia".
O ex-presidente do Parlamento israelense Avraham Burg, que estava entre os manifestantes, fez um apelo ao premiê Netanyahu para que demita os rabinos, que chamou de "nacionalistas e fundamentalistas". De acordo com a escritora Yael Gvirtz, "depois de combater o incêndio no Carmel, devemos nos dedicar a combater o fogo do racismo". "Esse é um judaísmo auto-concentrado, ignorante e intoxicado pelo poder", afirmou a escritora.

APOIADORES
Apesar das críticas, cerca de 300 religiosos acrescentaram suas assinaturas ao decreto dos rabinos nesta quinta-feira, segundo o jornal Yediot Aharonot. Para o rabino-chefe da cidade de Ashdod, Yossef Sheinin, a proibição "se baseia na Bíblia". "Na Bíblia está escrito que Deus deu a terra de Israel ao povo de Israel, o mundo é tão grande e Israel é tão pequeno mas todos o cobiçam, isso é injusto", afirmou Sheinin [sempre o nome de Deus para falar bobagem da boca pra fora].
O rabino-chefe do assentamento de Beit El, Shlomo Aviner, que também assinou o decreto, disse que "os árabes são 25% dos cidadãos, e não devemos ajudá-los a criar raízes em Israel". Entre os rabinos que assinaram o decreto estão os rabinos-chefes de cidades importantes como Rishon Letzion, Carmiel, Rehovot, Herzlia, Naharia e Pardes Hana e todos são funcionários públicos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mídia ao Avesso (coluna no Jornal Agora de 08/dez)

Acabada a tal “festa da democracia”, agora é hora de limpar o salão. E isso inclui, pelo que se observa das declarações do ministro Mantega, corte de gastos. Segundo o homem, o momento é de rever o Orçamento e frear alguns investimentos que haviam, em “boa hora”, sido prometidos. Mantega admite que os cortes podem afetar obras contidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas disse que apenas aqueles que ainda não se iniciaram. Então é esperar pra ver se, por exemplo, a festejada duplicação da BR-392 vai ser mantida no mesmo ritmo do período eleitoral ou se o governo que entra chegará dando tiro no pé.

Segundo o ministro, a economia está aquecida o suficiente e, por isso, não precisaria de tantos incentivos estatais. Seria a hora de a iniciativa privada entrar no jogo, enquanto o Estado desacelera. Mas o que preocupa é justamente esse aquecimento da economia, se levados em conta os gargalos em infraestrutura do país. Com o país crescendo, e com Copa do Mundo e Olimpíadas pela frente, será mesmo hora de frear os investimentos prometidos e planejados dentro do PAC (portos, aeroportos, transportes de massa)? Não existem outros gastos mais apropriados para serem enfrentados?

Voltando ao tema WikiLeaks, até que demorou para as superpotências (que, diga-se de passagem, já tiveram mais superpoderes, né?) começarem a enquadrar o “megavilão” de cabelos prateados que responde pela alcunha de Julian Assange. A fórmula do ataque foi a mesma de sempre: uso da mídia para mostrar o “grau de vilania” do sujeito, pressão sobre bancos para cortar-lhe financiamentos e sobre empresas (no caso, provedores de internet) para isolá-lo. E, por fim, o golpe de mestre: um processo judicial não pelos vazamentos de dados comprometedores (já que censurar informações pega mal), mas por suposto estupro, em que as provas são os testemunhos das garotas.

Ironia das ironias, a americana Amazon (que tem na venda de livros a sua origem) foi a primeira empresa a encarnar o servilismo e vetar o WikiLeaks em seus servidores de hospedagem.

Pra não dizerem que somente critico a grande mídia, aí vai um elogio (acho que é o espírito de Natal que já baixa em mim). Excelente o Globo Repórter da semana passada, no qual a jornalista Ilze Scamparini mostrou como algumas cidades italianas estão resgatando o bem-viver, em um movimento chamado “slow cities”. Pena constatar que cidades como a nossa, com um trânsito cada vez mais caótico (em um misto de falta de competência para o planejamento e falta de vontade para impor políticas alternativas de transporte) e poluição em descontrole, tomaram justamente o caminho oposto.


Quase ouso dizer que o governo Obama já é a maior decepção da história da política norte-americana. De tudo o que dele se esperava, só se recebe o inverso. Mas, arrisco, o pior desempenho é mesmo na sua política externa. O vazamento de informações que comprovam que os EUA foram manipulados pela inteligência israelense só tornam ainda mais patética a posição ianque de continuar bancando Tel-Aviv, com armas e muito dinheiro. Não à toa a Secretária de Estado americana Hillary Clinton (prevendo o melancólico fim de carreira) já anunciou que abandona a vida pública após terminar seu mandato.

Dezembro iniciou com uma importante notícia em nível mundial: o governo brasileiro reconheceu oficialmente o Estado Palestino dentro das fronteiras pré-1967 (o que inclui a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, ilegalmente ocupadas por Israel desde então). Ao anúncio brasileiro - país já elevado à potência emergente – seguiram-se os de Argentina e Uruguai. Os três, assim, juntam-se a mais de uma centena de países com o mesmo entendimento. Tudo indica que isto deixa os EUA de Obama em situação ainda mais frágil para vetar uma provável nova resolução da ONU neste sentido.

O que se discute não é o que pensa Israel (isso todo mundo já sabe), mas sim o que considera o mundo. E o direito internacional é claro neste caso. Desde 1967, quando Israel invadiu e anexou os territórios palestinos, o que se vê é claro desrespeito às convenções assinadas por líderes mundiais. A Quarta Convenção de Genebra, por exemplo, proíbe a uma potência ocupante remover populações nativas de uma área ocupada (limpeza étnica), transferir seus civis ao território ocupado (os assentamentos ilegais) e anexar terras ocupadas ao seu próprio território. Israel viola sistematicamente todas as três proibições, incorrendo assim em graves crimes de guerra no âmbito daquele tratado. O mais irônico, contudo, é lembrar que a Quarta Convenção de Genebra, de 1949, foi baseada justamente nos tribunais de Nuremberg, que julgaram a crueldade nazista contra judeus e outros povos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mídia ao Avesso (coluna no Jornal Agora de 17/nov))


O governo Lula foi uma merda. Luiz Carlos Prates e Lasier Martins poderiam ter simplificado assim seus comentários nos telejornais da RBS Santa Catarina e Rio Grande do Sul, respectivamente. Para Lasier, é culpa do governo federal permitir que "espertalhões" como Sílvio Santos "se apropriem de dinheiro público". Fala isso como se não soubesse que a crise no PanAmericano é de cunho privado, e que Sílvio - que comanda uma TV concorrente - cobriu o rombo dando suas empresas como garantia a um empréstimo também privado. Talvez outros donos de grandes grupos de comunicação tomassem decisões, digamos, mais ortodoxas, como deixar o rombo para o Estado. Já o Prates (que faz o mesmo papel de Lasier no JA catarinense) disse que o aumento dos acidentes de carro decorre da popularização do automóvel, "resultado deste governo espúrio [Lula], que popularizou pelo crédito fácil o carro para quem nunca tinha lido um livro [as classes mais pobres]. "Hoje, qualquer miserável tem carro", reclama, entristecido.

Assim, o sul do Brasil segue "formando" a opinião pública.

Apesar das opiniões de alguns sábios, Lula termina seus oito anos de governo com uma popularidade estrondosa, que extrapola as fronteiras do país. Pena que 83% da população brasileira seja ignorante, e não acompanhe a visão esclarecida destes poucos iluminados.

Algumas vozes discordam da política externa brasileira. Vozes das quais discordo, por ver neste ponto justamente um dos maiores legados do governo Lula. Agora mesmo, por pressão brasileira, o país conquistou junto ao G-20 aval para conter o fluxo de capital especulativo que tem sobrevalorizado o real - fazendo a festa de nós que nos abastecemos nos free-shops platinos mas ameaçando a indústria brasileira. Tá aí um cargo difícil para Dilma encontrar substituto que esteja à altura do chanceler Celso Amorim. Cargo, aliás, que não dá rima com Jobim.

Eu não arriscaria dizer o mesmo da política externa norte-americana. A intromissão militar e econômica ianque em diversas nações as quais considera estratégicas (valendo-se sempre de um cínico discurso baseado em direitos humanos) demonstra a opção pelo uso do poder e da força. Menos, é claro, quando o assunto é Israel. Agora, em troca de suspender por 90 dias as violações à lei internacional (através da colonização ilegal em território palestino), Israel receberá US$ 3 bilhões extras em ajuda militar americana (o que inclui mais 20 caças F-35).

Os EUA se comprometem ainda a bloquear possíveis (e porováveis) sanções da ONU à nação judaica, pressionar por novas sanções ao Irã e blindar o programa nuclear israelense contra investigações. A proposta indecente soa como um prêmio para um Estado que desconhece e desrespeita diariamente o direito internacional, quer queimando oliveiras de agricultores palestinos, destruindo e pilhando suas casas ou mesmo asassinando à queima-roupa ativistas em águas internacionais. E, de quebra, põe os norte-americanos de joelhos.

Além de "Nos porões da privataria" [livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., protagonista do tal dossiê "de bicudo contra bicudo", a ser lançado em breve pela editora Record], outro livro que aguardo com certa ansiedade é "O Cemitério de Praga", de Umberto Eco, recém lançado na Europa. Já polêmico, o novo livro do autor de "O Nome da Rosa" ganhou de cara a antipatia da igreja católica e da comunidade judaica. Isso, por si só, já é motivo para catapultar o interesse na obra.

Entre os dois livros, um ponto em comum: tanto Amaury Ribeiro Jr. (autor de Nos Porões...) quanto Simone Simonini (protagonista de O Cemitério...) são chegados à produção de dossiês.

Nos últimos dias, alunos de escolas particulares, em diversas partes do país, saíram às ruas em protesto. Na mira, pelo que deu para deduzir, estão políticas de inclusão que levam os negros (cotas raciais) ou os pobres (Prouni e Enem) para dentro das universidades públicas.

É bom ver o movimento estudantil de volta às ruas. Mas é interessante também ver quais bandeiras estão sendo levantadas. De todo modo, não há suspresas aqui. Não se esperava que uma mobilidade social tão grande como a que vem ocorrendo no Brasil nos últimos anos acontecesse sem tensionamentos e resistências.

Espera-se que Tarso Genro resista a prováveis pressões de indicações políticas e nomeie alguém eminentemente técnico para o Porto do Rio Grande.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O relatório "imparcial" de Israel


Relatório israelense sobre fuzilamentos de “quatro civis” não indica que eles eram três irmãs, 3, 5 e 9, e sua avó

por PHILIP WEISS em 21 DE JULHO DE 2010

Na segunda-feira o governo israelense publicou sua última palavra sobre o conflito de Gaza 2008-2009. É chamado de "segunda atualização"em sua investigação de incidentes durante o conflito.

Abaixo tenho três relatórios extraídos de um incidente durante a guerra (para os quais Norman Finkelstein dirigiu a minha atenção): o fuzilamento de três irmãs e sua avó de 07 de janeiro de 2009, em que duas das meninas morreram. Os relatórios: 1, do governo israelense; 2, um relatório do incidente no Inquérito Goldstone das Nações Unidas; e 3, o relato do ataque às meninas, em depoimento do pai ao Inquérito Goldstone.

Observe que o relatório de Israel, que absolve a unidade israelense envolvido de qualquer responsabilidade criminal, e descreve como os tiroteios alegações puramente, refere-se ao caso como o fuzilamento de quatro civis, e enquanto ela dá os seus nomes, não diz que os civis eram três irmãs, com idades de 3, 5 e 9, e seus anos 60 avó.

1º, o inquérito de Israel:

(3) Amal, Samar, Souad, Hajja e Abd Rabbo Souad e Nasir Kamiz Adham

108. Este incidente envolveu o suposto assassinato de quatro civis palestinos em 07 de janeiro de 2009, no bairro de Izbat Abd Rabbo, e foi denunciado às autoridades israelenses por várias organizações de direitos humanos. A MAG (?) refere a reclamação para uma investigação criminal direta, que foi recentemente concluída. No decurso desta investigação abrangente, a MPCID coletou depoimentos de onze palestinos que testemunharam os acontecimentos. Alguns deles não puderam ou não quiseram depor perante os investigadores MPCID, mas deram depoimentos detalhados. Além disso, os pesquisadores revisaram laudos médicos e atestados de óbito, bem como fotografias aéreas, fornecidas por uma ONG israelense que ajudou a identificar as diferentes unidades envolvidas no incidente. Mais de cinquenta comandantes e soldados destas unidades também foram questionadas pela MPCID. Alguns foram interrogados várias vezes a fim de esclarecer as circunstâncias do caso.

109. As evidências recolhidas no decurso do inquérito não poderiam confirmar a descrição do incidente pelos denunciantes, que alegaram que um soldado em um tanque abriu fogo contra um grupo de civis. As discrepâncias substanciais entre a denúncia e os resultados da investigação - em particular, a identidade da força e da seqüência de eventos - levou o MAG a concluir que a prova era insuficiente para dar início ao procedimento criminal.

2º, agora o Relatório Goldstone,

770. A missão visitou o local do tiroteio de Amal, Souad, Samar e Souad Hajja Abd Rabbo e entrevistou uma testemunha, Sr. Khalid Abd Rabbo, no local. Khalid e Kawthar Abd Rabbo deram seus depoimentos na audiência pública na Faixa de Gaza em 28 de junho de 2009. A missão também analisou depoimento de duas testemunhas adicionais que ela não foi capaz de entrevistar pessoalmente.

771. A família de Khalid Abd Rabbo e sua esposa Kawthar morava no andar térreo de um edifício de quatro andares na zona leste de Izbat Abd Rabbo, um bairro do leste de Jabaliyah habitado principalmente por membros da sua família. Pais e irmãos de Khalid Abd Rabbo com suas famílias moravam nos andares superiores da casa. Os moradores de Izbat Abd Rabbo começaram a ouvir o som de tiros e da incursão israelense por terra na noite de 3 de janeiro de 2009. A família de Khalid Abd Rabbo resolveu ficar dentro de casa, todos reunidos no andar térreo, como haviam feito com segurança durante as incursões israelenses anteriores no bairro.

772. No final da manhã de 7 de Janeiro de 2009, os tanques israelenses se posicionaram em uma pequena área agrícola na frente da casa. Pouco depois de 12h30, os habitantes dessa parte do Izbat Abd Rabbo ouviram mensagens de megafone dizendo a todos os moradores para sair. Segundo lembrou uma testemunha, houve também uma mensagem de difusão de rádio das forças armadas israelenses em torno de 12h30 anunciando que haveria um cessar fogo temporário entre uma e quatro horas daquele dia, durante o qual os residentes da área foram convidados a seguir para o centro de Jabaliyah.

773. Por volta das 12h50, Khalid Abd Rabbo, sua esposa Kawthar, suas três filhas, Souad (9 anos), Samar (com 5) e Amal (com 3), e sua mãe, Hajja Souad Abd Rabbo, sairam da casa, todos eles carregando bandeiras brancas. A menos de 10 metros da porta havia um tanque, voltado para sua casa. Dois soldados estavam sentados em cima dele com um lanche (um estava comendo batatas fritas, o outro chocolate, de acordo com uma das testemunhas). A família ficou parada, à espera de ordens dos soldados, como o que eles devem fazer, mas nenhuma foi dada. Sem aviso, um terceiro soldado saiu de dentro do tanque e começaram a atirar nas três meninas e depois também na sua avó. Várias balas atingiram Souad bater no peito, Amal no estômago e Samar nas costas. Hajja Souad foi atingida na região lombar e no braço esquerdo.

774. Khalid Abd Rabbo e Kawthar carregaram suas três filhas e a mãe de volta para dentro da casa. Lá, eles e os membros da família que havia ficado dentro tentaram pedir ajuda pelo celular. Eles também gritaram por ajuda e um vizinho, Sameeh Atwa Rasheed al-Sheikh, que era um motorista de ambulância e tinha sua ambulância estacionada ao lado de sua casa, decidiu vir a sua ajuda. Ele vestiu a roupa da tripulação da ambulância e pediu ao filho para colocar um colete fluorescente. Eles tinham guiado a ambulância a poucos metros da sua casa, na vizinhança imediata da casa Abd Rabbo, quando soldados israelenses perto desta casa mandaram parar e sair do veículo. Sameeh al-Sheikh protestou, dizendo que ele tinha ouvido gritos de socorro da família Abd Rabbo e iria levar os feridos para o hospital. Os soldados ordenaram ele e seu filho a se despir e vestir novamente. Em seguida, ordenaram-lhes que abandonassem a ambulância e caminhassem em direção a Jabaliyah, com o que eles obedeceram. Quando a família retornou para Izbat Abd Rabbo em 18 de Janeiro, encontraram a ambulância no mesmo lugar, mas a mesma tinha sido esmagada, provavelmente por um tanque.

775. Dentro da casa Abed Rabbo, Amal e Souad morreram de seus ferimentos. A família decidiu que tinha de fazer uma tentativa de seguir para Jabaliyah e levar Samar, os corpos de Amal e Souad, e sua avó para o hospital. Khaled Abd Rabbo e Kawthar, e outros membros da família e vizinhos carregaram as meninas sobre seus ombros. Hajja Souad foi levada pela família e vizinhos em uma cama. Samar foi transferida para o hospital al-Shifa e, em seguida, através do Egipto, a Bélgica, onde ela ainda está no hospital. Segundo seus pais, Samar sofreu uma lesão na coluna e ficará paraplégica para o resto de sua vida.

776. Quando Khalid Abd Rabbo voltou para sua casa em 18 de janeiro de 2009, sua casa, como a maioria das casas em Izbat Abd Rabbo, havia sido demolida. Ele ainda chamou a atenção da Missão de Inquérito para uma mina anti-tanque sob os escombros da casa de um vizinho.

3º, A seguir, o depoimento de Khaled Abed Rabbo, pai das três meninas, à missão Goldstone:

Khaled Abed Rabbo

Em 07 de janeiro às 12h50, o exército israelense patrolou nosso jardim e os tanques israelenses se posicionaram em frente à nossa casa. Eles começaram a gritar para nós com megafones e nos pediram para sair de casa. Então, eu saí com minha esposa e minhas três crianças: Suad, 8 anos, Samar, 4 anos, e Amal, 3 anos, e minha mãe, de 60 anos. Estávamos todos segurando bandeiras brancas.O Exército israelense estava estacionado do outro lado da nossa casa. Então, ficamos na entrada do terreno e segurando bandeiras brancas .... Os tanques ficaram sete metros de distância da nossa casa .... Eles não disseram nada para nós. Havia dois soldados sentados em cima do tanque. Um deles estava comendo chips. O outro estava comendo chocolate. Estávamos olhando para saber o que devíamos fazer, onde deveríamos ir ... Ficamos surpresos porque de repente um terceiro soldado saiu do tanque e começaram a disparar contra as crianças, sem razão... sem explicação, nenhum pretexto. Minha filha de 3 anos, seu estômago foi atingido e seus intestinos estavam expostos. Então, realmente fiquei espantado com aquilo: como podia um soldado disparando na minha filha? Então, carreguei minha filha de 3 anos. Ela mal conseguia respirar... Minha outra filha também foi ferida no peito. Então eu levei as duas, Samar e Amal, para dentro da casa. Minha esposa e minha mãe e minha outra filha Suad ainda estavam fora. Minha esposa se juntou a mim para carregar Suad... O peito estava ferido por muitas balas. Minha mãe, 60 anos, ela estava carregando a bandeira branca, e foi ferida no antebraço e também no estômago. Então, estávamos todos dentro da casa e começamos a chamar o CICV, as ambulâncias, que alguém viesse salvar-nos, mas ninguém vinha... e de repente ouvimos uma ambulância, mas em seguida mais nada... silêncio. Depois, vimos que os soldados de Israel pediram ao motorista da ambulância para sair do carro, se despir, e então demoliram a ambulância com o tanque ... Minha filha, Amal, 3 anos, ela estava morrendo e, ao final do dia ela morreu. Minha outra filha, de 8 anos, como eu disse, seu peito estava crivado de balas. Ela faleceu. Minha outra filha, Samar, suas costas estavam crivadas de balas. Suas costas estavam aberta. Ela não estava respirando pelo nariz, mas através de seus pulmões e ela me dizia: "Pai, ajuda, ajuda", e eu não podia fazer nada. Ela estava com sede. Eu estava com medo, se eu lhe desse água, o que poderia acontecer. Eu não sabia o que fazer. Minha mãe, 60 anos, também estava morrendo. Eu estava indefeso. Eu não sabia o que fazer pelos meus filhos. Minha filha morrendo na minha frente. Então, levei-a e deixei a casa, mesmo correndo risco de ser morto, porque eu não aguentava mais. Então, levei a minha filha e saí de casa. O soldado, ele poderia apenas me matar e à minha filha... eu não agüentava mais. Eu não podia deixar meus filhos morrerem na minha frente.

Traduzido do original (Mondoweiss) por Germano S. Leite

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A dança dos israelenses

Nesta semana, uma singela dancinha de soldados israelenses em uma rua de Hebron ocupou espaço nos noticiários, inclusive com a notícia de que as IDF (Israeli Defense Forces) poderiam punir os dançarinos. A coreografia teve mais de 1,5 milhão de acessos no YouTube.

Particularmente, não vejo grandes problemas em um grupo de jovens, estressados com a patrulha diária em um território marcado pela violência (alguns deles inclusive tendoque seguir ordens contrárias aos próprios princípios), fazer uma brincadeira inocente e que não prejudica ninguém (a não ser, pelo visto, a eles mesmos).

Mas o interesse com o vídeo não mostra um outro fato, percebido apenas por quem resolver ir um pouco além da notícia. Uma das coisas que se nota é a total ausência de tráfego na rua, de nome Shuhada. Isso se deve ao fato de a rua, em pleno território palestino, ter sido fechada aos árabes, sendo de uso exclusivo de colonos israelenses.

Para evitar que palestinos usem aquela rua, as portas das casas e lojas foram soldadas, obrigando moradores a medidas "heterodoxas" para poder entrar e sair de casa.

O vídeo abaixo seria muito mais instrutivo com relação ao que ocorre em Hebron, mas dificilmente seria mostrado pelas TVs ocidentais. Afinal, o outro é "mais engraçadinho", e choca menos...



quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pedido de informações


Acima, Yasmin Jilani (7), filha do árabe morto, com as irmãs Mirage (15) e Hana (17)

Emily Henochowicz, norte-americana atingida por arma dos EUA, disparada por israelenses


Tenho recebido, com certa frequência, e-mails de uma organização chamada Rua Judaica, trazendo propaganda israelense ("hasbara"). Até aí, tudo tranquilo, pois lhes cabe todo o direito de fazer a defesa de determinado ponto de vista.

Mas, como não tenho sangue de barata, e alguns pontos me incomodam, acabei por responder a algumas das colocações. E esta, em especial:

TEXTO ENVIADO PELO RUA JUDAICA:
"- Três guardas de fronteira de Israel foram feridos quando uma pickup foi lançada contra eles por um árabe-israelense no bairro de Wadi Joz nas cercanias de Jerusalém Oriental. O atacante tentou fugir mas foi abatido pela policia que considerou tratar-se de atentado terrorista."


MINHA RESPOSTA:
Ah, esse é o caso do sr.
Ziad Al-Jilani, por acaso (sim, ele tinha nome)?
Pelas "investigações", o "atacante" foi confirmado como terrorista? Agradecemos o envio da informação, mas gostaríamos de ter acesso a detalhes mais completos, para não corrermos o risco de fazer um julgamento de valor baseado apenas em superficialidades.
Poderia nos brindar com as demais informações sobre mais este lamentável fato?

E, se possível, já que nos escolheram para enviar notícias sobre o conflito, gostaríamos de saber como está o caso da jovem norte-americana
Emily Henochowicz. Perdeu a visão de um dos olhos mesmo? Está bem? Será indenizada? Quem atirou será punido? Ou a menina era "apenas uma terrorista"?

Obrigado! E esperamos, ansiosos, pelas respostas.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sensibilidade assassinada



As duas fotos acima foram captadas pelo fotojornalista Cevdet Kılıçlar, assassinado aos 38anos, por comandos israelenses, quando fazia a cobertura da viagem de ativistas que levavam ajuda humanitária a Gaza, no barco Mavi Marmara.
De acordo com a propaganda israelense, Cevdet, o cara com sensibilidade para estas fotos, era um "terrorista".
Veja mais imagens na galeria interrompida de Cevdet, no Flickr.

Os "terroristas" do Mavi Marmara, segundo Israel

Os nove "terroristas" (na versão da "hasbara" israelense) assassinados no dia 31 de maio:

Putting Names To Faces

A brief introduction to the nine people shot dead on 31 May 2010, by Israeli soldiers who attacked the Turkish vessel M.V. Mavi Marmara, as it attempted to transport humanitarian aid to the Gaza Strip.

1. Ibrahim Bilgen, 61, an electrical engineer from Siirt. Member of the Chamber of Electrical Engineers of Turkey. Ran as a Saadet (Felicity) Party candidate in the Turkish general election of 2007 and the Siirt mayoral election of 2009. Married with 6 children. (link - link - link - link)

Ibrahimbilgenn2

2. Ali Haydar Bengi, 39, ran a telephone repair shop in Diyarbakir. Graduate of Al-Azhar University, Cairo (Department of Arabic Literature). Married to Saniye Bengi; four children - Mehunur (15), Semanur (10) and twins Mohammed and Senanur (5, pictured below). (link - link - link - link)

Ali haydar bengiBengi twins

3. Cevdet Kiliçlar, 38, from Kayseri. A graduate of Marmara University's Faculty of Communications; formerly a newspaper journalist for the National Gazette and the Anatolia Times. For the past year he was a reporter and webmaster for the Humanitarian Relief Foundation (IHH). Married to Derya Kiliçlar; one daughter, Gülhan, and one son, Erdem.

See him participating in an IHH African relief project here. See his Flickr photos here. (link - link - link - link)

Cevdet Kiliçlar_2

4. Çetin Topçuoglu, 54, from Adana. Former amateur soccer player and taekwondo champion, who coached Turkey's national taekwondo team. Married with one son, Aytek.

See Çetin Topçuoglu's Facebook page here. (link - link - link - link)

Çetin Topçuoğlu

His wife, Çigdem Topçuoglu (below, right), was also aboard the Mavi Marmara, but survived. (link - link - link - link)

Çetin and Cigdem Topçuoğlu

5. Necdet Yildirim, 32, an IHH aid worker from Malatya. Married to Refika Yıldırım; one daughter, Melek, aged three. (link - link)

Necdet yildirim

6. Fahri Yaldiz, 43, a firefighter who worked for the Municipality of Adiyaman. Married with four sons. (link - link - link)

Fahri YaldizFahri Yaldiz family2

7. Cengiz Songür, 47, from Izmir. Married to Nurcan Songür; six daughters and one son. (link - link - link - link - link)

Cengiz Songür_2

8. Cengiz Akyüz, 41, from Iskenderun. Married to Nimet Akyüz ; three children - Furkan (14), Beyza (12) and Erva Kardelen (nine). (link - link)

Cengiz Akyüz_2

9. Furkan Dogan, 19, in his senior year at Kayseri High School where he was awaiting the results of his university entrance exams; hoped to become a doctor. Loved chess. Son of Dr. Ahmet Dogan, Assoc Prof at Erciyes University. A Turkish-American dual national, with two siblings. (link - link - link - link - link - link - slideshow)

Furkan Dogan


Do blog Lawrence of Cyberia