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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

As verdadeiras razões da mídia despudorada

Nunca na história desse país, diria o torneiro mecânico que se despede da presidência da República, a chamada grande imprensa (ou simplesmente PiG, como prefere PHAmorim) destilou tanto veneno contra um governo. Foi um ataque diário, pungente, psicopático, no qual mesmo os fatos positivos eram transformados em tragédia constante. E chegou ao despudor de Veja, que publicou uma impensável capa na qual a maior autoridade do país era retratada tomando um pontapé no traseiro (e ainda dizem que o governo Lula censura a imprensa brasileira!).
Pra quem se vale apenas destes veículos, admira muito o Brasil ter sobrevivido à crise financeira mundial e, mais do que isso, ter saído fortalecido da mesma. Pelo noticiário mostrando "terra arrasada" a cada nova capa do lixo semanal de Veja, por exemplo, nossa economia deveria estar claudicando, o desemprego deveria ter explodido, a inflação tinha que estar em total descontrole e juros e risco-país estariam agora em níveis estratosféricos.
Como não é o que acontece, então alguma coisa deveria explicar essa psicose da grande mídia contra o governo. Só a aversão à ascensão das classes mais pobres, com quem agora as "elites intelectuais do país" têm agora que dividir espaço (como nas estradas para o litoral, não é sr. Prates?), nã é capaz de explicar os ataques sem fim. Algo mais motiva os barões da mídia. E é o de sempre: a defesa do suposto privilégio de dividir o butim, no caso, representado pela bolada que os governos (todos eles) torram a cada ano em publicidade.
Basta olhar o que ocorreu com as verbas de publicidade no governo Lula. O que antes era dividido entre poucos veículos privilegiados, agora é "espraiado" por milhares de pequenos jornais, rádios, revistas e sites, capilarizando a informação e capitalizando mais empresas, gerando empregos e, não menos importante, diminuindo a concentração do poder de informar a população - democratizando a comunicação.
Buenas, e já me espalho em excesso. Fiquem a seguir com o recente artigo do cientista político e escrito Venício Lima (publicado no Observatório da Imprensa), que desnuda os números das verbas publicitárias federais.

Publicidade oficial: onde o calo dói

Ao final de dois mandatos, a mudança de orientação na distribuição das verbas oficiais de publicidade ficará na história como talvez a principal contribuição do governo Lula no sentido da democratização das comunicações. Isso pode explicar muito do comportamento da grande mídia nos últimos anos.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa

No auge da disputa eleitoral de 2010, quando o governo e a grande mídia faziam acusações mútuas, o presidente Lula, em entrevista concedida ao portal Terra, travou o seguinte diálogo com seus entrevistadores:

Terra – (...) O senhor tem feito críticas duras, dizendo que a imprensa, a mídia tem um candidato e não tem coragem de assumir e, ao mesmo tempo, o contraditório diz que existiria um Projeto Político (...) para "enquadrar meios de comunicação". (...) O que mais incomoda o senhor: é a cobertura (ser) crítica de um lado e não existir a investigação sobre os demais candidatos? Seria isso? (...) O senhor está dizendo que ela [a imprensa] é desequilibrada? Só está cobrindo um lado e não está cobrindo...

Presidente Lula – (...) Eu acho que a imprensa está cumprindo um papel importante quando ela denuncia. Por quê? Ou você sabe por que alguém denunciou, ou você sabe por que alguém cobriu ou você sabe por que saiu na imprensa. Quando sai alguma coisa na imprensa você vai atrás. (...) Vou te dar um exemplo, sem citar jornal. Na campanha passada, os caras diziam, "porque o avião do Lula...", porque o Aerolula... Passando para a sociedade, disseminando umas bobagens, vai despolitizando a sociedade. Agora, estão dizendo que a TV pública é a TV do Lula. Nunca disseram que a TV pública de São Paulo é do governador de São Paulo e as outras são dos outros governadores. Agora, uma TV para um presidente que está terminando o mandato daqui a três meses, é a TV Lula. Ou seja, esse carregamento de... composto de... de muita... de muita, eu diria, de muito preconceito ou de muita até, eu diria até, às vezes, ódio, demonstra o que? (...) [a imprensa] se comporta como se o pessoal da Senzala tivesse chegando à Casa Grande. (...) Agora, a verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é essa. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais...

Terra – Nos municípios, isto tem uma capilaridade: o chefe político tal...

Presidente Lula – Então, muita gente não gostou quando, no governo, nós pegamos o dinheiro da publicidade e dividimos para o Brasil inteiro. Hoje, o jornalzinho do interior recebe uma parcela da publicidade do governo. Nós fazemos propaganda regional e a televisão regional recebe um pouco de dinheiro do governo. Quando nós distribuímos o dinheiro da cultura, por que só o eixo Rio – São Paulo e não Roraima, e não o Amazonas, e não o Pernambuco, e não o Ceará receber um pouquinho? Então, os homens da Casa Grande não gostam que isso aconteça. (Ver aqui a íntegra da entrevista.)

No trecho da entrevista acima reproduzido, o presidente Lula atribui o comportamento desequilibrado da mídia brasileira (1) ao fato de que "nove ou dez famílias" controlam a comunicação no país; (2) ao preconceito em relação a um operário ter chegado à presidência da República; e (3) à política de regionalização das verbas oficiais de publicidade iniciada em seu governo.

Que a grande mídia brasileira é olipolizada, fundada na propriedade cruzada dos meios e controlada por algumas poucas famílias, em grande parte vinculadas às velhas oligarquias políticas regionais e locais, é fato comprovado e sabido.

Que existe preconceito das "elites" brasileiras em relação à ascensão política de um operário e migrante nordestino que conquistou, em processo democrático e pelo voto, por duas vezes, a presidência da Republica, é tema que tem merecido a atenção de analistas e cientistas políticos pátrios faz tempo.

Estou, todavia, interessado na regionalização das verbas oficias de publicidade.

Mudança radical

De fato, uma importante reorientação na alocação dos recursos publicitários oficiais teve início em 2003: sem variação significativa no total da verba aplicada, o número de municípios cobertos pulou de 182 em 2003 para 2.184, em 2009, e o número de meios de comunicação programados subiu de 499 para 7.047, no mesmo período (ver quadros abaixo).


Essa política de regionalização atende aos melhores princípios da "máxima dispersão da propriedade" [ver, neste Observatório, "Concessões de Rádio & TV: Pela máxima dispersão da propriedade"], promove a competição no mercado de comunicações, estimula o mercado de trabalho do setor e, acima de tudo, colabora para o aumento da pluralidade e da diversidade de vozes na democracia brasileira.

Há ainda um longo caminho a ser percorrido para que o Estado cumpra o seu papel e contribuía efetivamente para o cumprimento do "princípio da complementaridade", isto é, do equilíbrio entre os sistemas privado, público e estatal de comunicações, como reza o artigo 223 da Constituição de 1988.

Para isso, a reorientação da distribuição dos recursos da publicidade oficial precisa contribuir, de fato, para o surgimento e a consolidação dos sistemas público e comunitário de mídia no país.

De qualquer maneira, ao final de dois mandatos, a mudança de orientação na distribuição das verbas oficiais de publicidade ficará na história como talvez a principal contribuição do governo Lula no sentido da democratização das comunicações.

Dedo na ferida

Nunca é demais lembrar que o Estado tem sido – direta ou indiretamente – uma das principais e, em muitos casos, a principal fonte de financiamento da mídia privada comercial, seja ela impressa ou eletrônica. Basta verificar quais são os maiores anunciantes dos jornais, das revistas semanais e dos telejornais das redes de televisão privadas do país.

Não é sem razão que colunista – e não os proprietários – da Folha de S.Paulo já acusou o governo Lula de estar promovendo "Bolsa-Mídia" para uma "mídia de cabresto" e de "alimentar uma rede chapa-branca na base de verbas publicitárias" [cf. Fernando de Barros e Silva, "O Bolsa-Mídia de Lula" in Folha de S.Paulo, 01/06/2009].

Talvez a reorientação da distribuição dos recursos da publicidade oficial explique muito do comportamento da grande mídia nos últimos anos. Afinal, o governo Lula colocou o dedo na ferida, ou melhor, a grande mídia sabe exatamente onde o calo dói.

Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Senadores querem ouvir os donos da RBS

Luiz Carlos Prates tem todo o direito de comentar as estultícies que quiser. Mas deve se responsabilizar pelo que diz. E, conforme quem é do ramo já tá careca de saber, o veículo através do qual se propaga uma declaração passível de sanção também pode ser solidariamente responsável.
É o que pregam os senadores Ideli Salvati e Magno Malta, ao defender que os "donos" da RBS sejam convocados a dar explicações no Senado, sobre o infeliz comentário de Prates, o "Lasier" catarinense.
Sem mais delongas, o vídeo com a opinião preconceituosa e classista (embora sincera) de Prates (já comentado e mostrado aqui dias antes) e a reação dos senadores:




quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mídia ao Avesso (coluna do Jornal Agora)


Até uns dias atrás, Mayara Petruso era uma ilustre desconhecida. E a jovem de 21 anos, estudante do 6º semestre de Direito, possivelmente continuaria no anonimato - e a salvo de processos - se tivesse feito seus comentários preconceituosos apenas para um grupo restrito de amigos e colegas de faculdade. Quantos de nós já não fomos politicamente incorretos uma vez na vida, em conversas privadas? No entanto, a jovem paulista expressou seu desgosto com a derrota de Serra no Twitter, uma nova ferramenta de comunicação que tem um poderoso potencial de rapidíssima disseminação do que ali se escreve. Com isso, passou de uma "maria ninguém" a uma celebridade negativa em um piscar de olhos. E agora possivelmente responderá a um incômodo processo penal.

A atitude da garota é, sem dúvida, condenável. Mas Mayara não deixa de ser um bode expiatório (ou uma cabra, no caso) e mesmo uma vítima do clima que se instaurou no País após a infame campanha do tucano José Serra, patrocinada e estimulada por boa parte da grande mídia. Dentre outros casos, muito já se falou, nos últimos dias, do mapa em azul e vermelho publicado por diversos veículos de comunicação, dividindo o Brasil numa parte meridional rica e desenvolvida (que teria preferido o tucano) "contra" a parte setentrional pobre e atrasada (que teria elegido a petista Dilma). E que, como já se provou, é uma falácia. Aqui mesmo no RS, Serra teve 50,94%, contra 49,06% de Dilma. Praticamente um empate. E não me consta que o RS seja um Estado de "vagabundos", "ignorantes" ou "dependentes de esmola do governo federal", entre outras acusações absurdas que se faz contra os nordestinos.

A campanha tucana também deu sua "contribuição" para essa lamentável onda de preconceito e divisionismo no País. Quem não lembra, por acaso, de Serra, durante a campanha deste ano, citando um baiano (nordestino) como exemplo de criminoso? Ou ainda, em 2006, quando o tucano afirmou que o problema dos maus resultados da Educação em SP eram os "migrantes" (nordestinos)? Ou mesmo do discurso da derrota de Serra, quando ele parabeniza seus eleitores por terem "cavado uma grande trincheira" (para combater a quem)?

Todo esse clima beligerante e preconceituoso gerou uma predisposição em alguns eleitores, sobretudo os mais imaturos e/ou os mais fanáticos. Agora, junte-se ao mesmo caldo de rancor a decepção pela derrota e a inevitável "flauta" virtual contra os perdedores (nos orkuts, facebooks e twitters da vida) e está pronta a armadilha na qual caíram Mayara e mais uma centena de pessoas, que agora deverão responder pela ingenuidade de terem se deixado levar pelo "canto da sereia" entoado em discursos políticos udenistas e ampliado pela grande mídia.

Ainda sobre o tema, não deixa de ser preocupante a provocante enquete no ar atualmente no Agora on-line. Embora acessável do mundo inteiro, obviamente a maior parte dos leitores é do RS. Perguntados sobre o que acham de políticas de ação afirmativa como Bolsa Família e lei de cotas raciais, até a tarde desta terça-feira, 43% dos leitores respondiam considerar "incorretas, pois fazem quem produz bancar a população pobre e improdutiva".

Derrotada na eleição, a próxima bandeira levantada pelos grandes veículos é contra a Constituição da República, mais precisamente contra o art. 224, que prevê claramente a criação de um Conselho de Comunicação Social. Esse conselho - bem como seus similares em estados e municípios - visa simplesmente a garantir que os canais de radiodifusão (TVs e rádios), bens públicos por definição, não sujeitem-se apenas e tão somente a interesses de uns poucos grupos privados. É interessante notar que, apesar de constar na Constituição desde 1988 e de ter uma lei regulamentando o CCS desde 1991, atualmente não existe nenhum conselho operando no País, achacados que são justamente pela grande mídia, que os sataniza como "instrumentos de censura" à "liberdade de imprensa".

Ora, não há setor no mundo sem regulação. Por que haveria o setor de comunicação no Brasil ficar ao largo de qualquer regramento? A quem isso beneficia senão às próprias empresas que atingiram um patamar de megaconglomerados de mídia, agrupando rádios, jornais, televisões e portais de internet, tudo sob o opaco manto de um mesmo grupo? E por que nosso Congresso também não regulamenta os demais artigos da Constituição que tratam do mesmo setor, como o art. 220, § 5º (que veda expressamente o monopólio ou o oligopólio midiático) ou o 221 (que estimula o conteúdo regionalizado, a promoção da cultura, da educação e o respeito aos valores éticos e sociais)?

Estão aí ótimas bandeiras para nossa mídia empunhar nos próximos anos. De temas que, esperamos, deverão mesmo vir à tona durante o mandato de Dilma Rousseff. É uma questão de escolha. E, obviamente, de interesses e valores. Resta saber quais interesses e valores falarão mais alto.

Por Germano S. Leite

terça-feira, 2 de novembro de 2010

José Dirceu no Roda Viva

“O que eu preciso é que o Supremo me julgue, porque lá se vão cinco anos já...”

“Não existiu o mensalão”. “Você [se referindo ao jornalista Augusto Nunes] está dizendo que existiu; me dá o direito de dizer que não existiu!”.








terça-feira, 11 de maio de 2010

O Globo e o Tijolaço (ou "Não te fresqueia, guri!")


A voz do dono, o dono da voz e os donos de tudo
terça-feira, 11 maio, 2010 às 10:32

A capa e o conteúdo do jornal O Globo de hoje revelaram a Serra o que um dia, num único jornal do sistema, pode fazer à sua candidatura. Não que seja diferente ao que fazem dúzias de vezes com Dilma, mas foi, como dizia uma música dos anos 60, “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

Acostumado a mandar demitir repórteres com telefonemas, Serra perdeu a paciencia com “os comunistas do Dr. Roberto” do século 21. “Dos meus comunistas, cuido eu”, teria dito “o mais velho”, em plena ditadura, ao “ministro da justiça” (assim mesmo, entre aspas e em minúsculas) Armando Falcão. Embora não sejam mais comunistas e o Dr. Roberto não esteja mais aí, Serra mexeu num vespeiro, muito maior que o cada vez mais frágil jornal O Globo. Mexeu na Globo, no centro de comando da elite brasileira.

Embora a Miriam Leitão tenha ficado publicamente apatetada e se contido – a vingança, como dizia o personagem do Chico Anísio, “será maligna”. A edição do jornal impresso de hoje, que reproduzo aí ao lado, já mostra isso. A foto de um Serra que parece doente, alquebrado, sendo seguro na escada como um inválido que não se sustenta é o tipo de maldade atroz que ele, pela primeira vez, tem de encarar no jornal.

O título é de uma clareza solar. Traduzido, quer dizer: Serra, este é o Serra que queremos. Oposição, não pseudolulista. O império não quer almas pela metade, ele quer a vassalagem incondicional. Ele quer alguém que se ajoelhe em seu altar, renegue e maldiga sua fé passada e proclame sua conversão em alto e bom som, como fez FHC em 1995, ao dizer, já em seu discurso de posse, que vinha para destruir a “Era Vargas” e entregar, como nunca se entregara nem na ditadura, o Brasil aos grupos econômicos daqui e de fora.

Lá dentro do jornal, coube a Lord Merval Pereira colocar a coisa em letras explícitas: fala em ressurreição do ranzinza e de Serra ser o “centralizador” e “mais intervencionista do que Dilma”. Ao lado, seguia a ironia fotográfica, com uma grande foto de Dilma sorridente, ao lado de Antonio Palloci, o “homem de confiança” do mercado nos primeiros tempos do Governo Lula.

Serra tem sorte de que o Dr. Roberto não esteja mais aí, para não correr o risco de sofrer mais um dos “castigos” que gosta de impor aos “insolentes”: ser “demitido” com um telefonema. Mas vai ter de fazer seus atos de contrição, ficar comportadinho e parar de achar que é alguém com direito a ter posições próprias e pessoais, mesmo que sob a fantasia que os marqueteiros lhe desenharam.

Serra tem que exorcizar de vez suas convicções do passado, sepultar o antigo Serra que pensava no papel do Estado, no desenvolvimento, que, inconformado com a morte que a traição lhe deu, brota em espasmos como o de ontem. Não se lhe exige apenas o papel de agente da direita, querem a conversão completa ao papel que assumiu. De Fausto não se queria parte, mas tudo.
Dante Aligheri escreveu na sua Divina Comédia que, nos umbrais do Inferno havia talhada uma frase: Abandona toda esperança, vós que entrais.

A gauchada, que não leu Dante, se expressa mais claramente: “não te fresqueia, guri”.

por Brizola Neto, de O Tijolaço

Folha: se não é pra São Paulo, não existe

É mais que óbvio que os chamados "jornais de alcance nacional", embora assim queiram ser rotulados, apenas reproduzem os modelos de concentração econômica impostos nos seus estados sede. Além disso, alguns, como a Folha, já não escondem que sequer as informações chave de determinados setores são relegadas a terceiro plano (ou mesmo sumariamente omitidas), uma vez que o que interessa é alimentar os factóides contra determinados grupos políticos.
Hoje, em Rio Grande, a revista Voto organizou o seminário "Rio Grande - Onde o Rio Grande Renasce". O mote é o impressionante desenvolvimento do município e região, em função do polo naval que nasce, incentivado pela política do governo federal direcionada a esse setor (nos mesmos moldes de Suape, em PE).
A ex-ministra Dilma foi uma das palestrantes. Entre vários outros fatos jornalísticos, anunciou que o governo deve investir US$ 2,68 bilhões na cidade, para a integração de plataformas e construção de cascos de plataformas em série nos novos estaleiros que por aqui pipocam.
Se procurarmos algo na Folha Online de hoje, encontraremos duas matérias sobre a visita de Dilma a Rio Grande. Da lavra do jornalista Graciliano Rocha, ambas "esqueceram" de focar no tema do seminário, nos investimentos no setor naval e no desenvolvimento da região. Afinal, haviam temas "mais relevantes", a saber:

- Dilma minimizou a importância de nunca ter concorrido à eleição;
- a posição de Dilma (de novo) sobre a autonomia do BC;
- o que a pré-candidata acha sobre eventual afastamento de Tuma Jr., novo alvo da própria Folha;
- Neymar e Ganso devem ir à Copa?

De resto, nada importa mesmo. Afinal, nem é sobre São Paulo.



Seguem as matérias publicadas pela Folha:

11/05/2010 - 12h55
Dilma defende convocação de Neymar e Ganso
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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Rio Grande (RS)

Em Rio Grande (RS), onde participa de seminário sobre a indústria naval, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu a convocação de Neymar e Ganso para disputar a Copa do Mundo pela seleção brasileira.

Ela foi questionada se costuma assistir a jogos de futebol. "Eu via, parei de ver e voltei a ver. O Neymar e o Ganso têm esse capacidade de fazer a gente olhar [futebol]. Têm esse lado brincalhão e alegre."




11/05/2010 - 15h20
Dilma diz ter acumulado experiência administrativa para governar o país
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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Rio Grande (RS)

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje em Rio Grande (RS) que acumulou experiência administrativa para governar o país e minimizou a importância de jamais ter concorrido em uma eleição.

"Fico pensando se às vezes não é bom isso, porque seria uma lufada de ar novo numa situação mais tradicional de fazer política", disse ela.

Sobre eventuais mudanças no Banco Central, caso fosse eleita presidente, Dilma disse que "em time que está ganhando não se mexe".

Ontem, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou que, se houver "erros calamitosos" em políticas do BC, o presidente deve interferir e opinar.

Dilma também foi questionada sobre a investigação contra o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, suspeito de ligação com um suposto integrante da máfia chinesa.

"Se ele tiver envolvimento, tem que se afastar. Não sei qual a gravidade, não tenho como avaliar. Estou falando em termos de conceito. O método é que a gente não julga ninguém previamente porque você passa a ter uma política de condenação sem direito de defesa. Se tiver fundamento a acusação, afasta", afirmou Dilma.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O abismo da Folha


Não é só o mundo novo da internet que está afetando os números da Folha de São Paulo, há pouco tempo o maior jornal do país em circulação. Erros toscos de avaliação e a aposta de que ainda teria condições de manipular a opinião pública (talvez na esperança de eleger um governo amigo, que recupere os outrora pesados recursos federais investidos nos veículos da empresa) afundaram os gráficos na sala de comando do grupo Folha da Manhã.


É impressionante como a direção entrou em um círculo vicioso, que é quase de automutilação. Após um erro que lhe custa credibilidade e leitores, a Folha comete outro, e mais outro, e mais outro, como se acreditasse que "o novo plano, agora sim, será infalível". Recentemente, isto se deu de forma inequívoca na campanha pró Daniel Dantas e no caso da ficha falsa da ministra Dilma. Na semana passada, porém, o salto para baixo foi ainda mais vertiginoso, com a publicação de artigo que relata o suposto caso do "menino do MEP".


Como fundamento do resultado desastroso desta estratégia suicida, citem-se números. Em outubro de 1996, a venda avulsa da Folha aos domingos chegou a 489 mil exemplares. Atualmente, a média diária nacional, entre janeiro a setembro de 2009, bateu em escassos 21.849 exemplares.


Mas não sei o que é mais impactante, se números brutos, globais, ou se pontuais declarações de ex-leitores. Seguem algumas declarações, retiradas de blogs variados:


1/12/2009 às 21:37
Também cancelei a assinatura da Folha depois de mais de 20 anos. Cansei (e que D’urso e Hebe não me cobrem royalties) de ver a informação ser estuprada e a verdade currada diariamente. Também estou tirando o time do Uol.


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1/12/2009 às 21:44
Me emociono ao ver atitudes como essa, até mesmo porque estes oligopólios cometem cometem e cometem crimes como que num movimento inercial.Erram e continuam. E continuam.Até o dia em que, por não perceberem o movimento inercial em que estão, quebram a cara.Aí acordam.Às vezes acordam tarde demais.


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1/12/2009 às 21:51
a ditabranda foi o fim da picada para mim. o engraçado é que vendedores de assinatura da fsp me ligaram, tive que jogar na cara. E ainda recebi email da fsp; e olha que nunca fui assinante dessa porcaria.


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1/12/2009 às 22:07
Acabei de enviar este email cancelando minha assinatura da UOL:From: Alcino DembyTo: ombudsmandouol@uol.com.brSent: Tuesday, December 01, 2009 10:07 PMSubject: Cancelamento de assinatura
Boa noite,Desejo cancelar minha assinatura da UOL e estou formalizando este distrato através do canal do Ombudsman, considerando a inexistência no UOL SAC, seja no site ou no atendimento telefônico, de uma opção que explicitamente conduza ao encaminhamento desta solicitação. O cancelamento da assinatura UOL é um protesto contra o jornalismo irresponsável que vem sendo praticado pelo grupo Folha de São Paulo, tal como, há algum tempo, também cancelei minha assinatura do jornal Folha de São Paulo.


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Prudêncio de araújo disse:
1/12/2009 às 21:08
Estou pensando em assinar a folha só para ter o prazer de cancelá-la depois.


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E por aí vai...

sábado, 22 de agosto de 2009

A marcha da insensatez da mídia

Por Roberto G

Esse pessoal da mídia mainstream entrou num delírio equivalente ao das torcidas organizadas. Aos meus olhos, o que está em jogo não é diretamente a questão político-partidária, mas antes o direito que eles acham que tem de formar a opinião pública, que os auto-identifica como protagonistas importantes das cenas política, econômica e cultural.
O governo atual que, talvez sem querer, os desafiou, mais o fator estrutural representado pelas formas de expressão saídas da internet e a relativa liberdade que elas fornecem para quem não pertence à tribo, tornaram o desafio incontornável para esse pessoal de Globo, FSP, OESP & Veja. Se estou certo, eles irão continuar subindo o tom, um reforçando o outro, perdendo cada vez mais a sensibilidade sobre as opiniões de quem não faz parte do círculo que formaram.
Até onde isso chega, não sei. Mas o mais provável é que eles irão queimar a credibilidade da imprensa e também da oposição, que acaba se identificando com o descalabro que estão produzindo.
Talvez os seus patrões e a oposição consigam segurar, mas o mais provável é que eles mesmos entrem no trem do delírio. Para a Sociologia, é um campo empírico interessantíssimo. Para a sociedade, nem tanto. Estaremos condenados a discutir um monte de batalhas de Itararé e muito pouco das questões relevantes para o futuro do Brasil.

Extraído do blog de Luis Nassif

Nota do MaA: qualquer relação com os atuais factóides como a ficha falsa da ministra terrorista e o "escândalo" do suposto encontro com Lina Vieira não é mera coincidência.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sarney, Dilma e o PiG


Que o tio Sarney tem muito a explicar nessas décadas em que sempre esteve casadso com o poder, até minha cadelinha sabe. Mas é lógico que os problemas dele não são de hoje (como o PiG tenta nos fazer crer). E nem os desmandos no Senado são da lavra exclusiva da velha raposa maranhense.
Por isso mesmo, fica claro que o alvo da grande mídia não é exatamente o presidente do Senado. Depois de tentar de tudo contra os objetivos principais (inclusive publicar uma ficha falsificada da pré-candidata petista Dilma Rousseff, cuja autenticidade
"não podia ser assegurada, bem como não podia ser descartada"), o que sobrou foi o ataque a partir de "vias oblíquas". Portanto, nada como colar a Sarney e aos atos secretos do Senado os verdadeiros alvos: Lula e seu provável sucessor.
Tem gente que ainda duvida desta tese. Tudo bem, cada um acredita naquilo que seus filtros lhe permitem. Em todo caso, mostro hoje mais um indício desta estratégia. Mais uma vez, a manipulação é feita a partir de imagens. E, mais uma vez, pela empresa dos Frias.
Na Folhapress, agência de notícias do grupo Folha, o objetivo é vender esta leitura (de que Dilma e Sarney seriam farinha do mesmo saco) a todos os clientes - assim, a mensagem deturpada é ampliada, sendo distribuída até mesmo nos veículos do interior (aqueles, que tiram a cada dia audiência - e verba de publicidade - dos jornalões do PiG, como a Folha já se queixou
aqui). Como? Vamos ao fato:

Às 17h03min., a Folhapress distribui a notícia de código 4412185, com o seguinte título: "Senado-Denúncias 3: Sarney vê ‘campanha nazista’ contra sua permanência no cargo". O texto fala das reclamações de Sarney contra a mídia que, segundo alega, o estaria perseguindo. Em nenhum momento, há qualquer alusão à ministra Dilma ou a caso que a envolva. No entanto (sempre tem um "no entanto"), a agência sugere, junto à notícia, que os clientes comprem também duas fotos. Numa delas, Dilma aparece de costas, cumprimentando o presidente do Senado durante visita do presidente mexicano Felipe Calderón ao Brasil. A outra, sim, é a nova pérola da Folha, que atualmente tem se notabilizado por fazer uma bobagem atrás da outra. A foto foi tirada de um ângulo que mostra a ministra e o senador na mesma imagem, porém distantes um do outro. O próprio efeito de desfoque denuncia que ambos não estão sequer próximos. Notem ainda que a legenda da foto diz, de forma enganadora, que a ministra está "ao lado" de Sarney!!!
Se o alvo da atual campanha não é a sucessão de Lula em 2010, como parece claro, então qual o motivo dessa manobra fotográfica da agência? Alguém se habilita a responder?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os 'dalits' da Petrobras, segundo O Globo


Parece que, mesmo após a quebra de paradigma causada pelo blog da Petrobras, a Globo ainda não percebeu o verdadeiro poder da blogolândia. Ou, se entendeu, finge que não. Ou, ainda, começam a ficar impressionados com a cultura indiana que tentam vender na novela das oito. Matéria publicada no O Globo neste dia 5, sob o título "Um poço de polêmicas: A República sindicalista instalada na Petrobras" (leia aqui), deixa claro que, para aquele grupo, operários não passam de "dalits", que jamais poderiam ascender socialmente. Para ser mais sincero, o texto deveria ter como título “Um poço de preconceito e elitismo”. Para os jornalistas Chico Otavio e Tatiana Farah (e, claro, para os editores do jornal), galgar degraus no estamento social no Brasil ainda é crime. Eles pensam (e tentam formar esse tipo de opinião nos outros) que os postos de destaque ainda estão reservados à “elite” de olhos azuis. Jamais esse povinho poderia “sair de vilas operárias para morar em imóveis de bairros nobres”, como escrevem no texto.
Sem contar que cospem no prato em que comeram. “A cada crise, fosse um vazamento ou uma plataforma afundada, lá estavam eles, tentando alimentar o noticiário com denúncias.” Ué, e não era pra ser denunciado isso? Ué, e O Globo não se utilizava dessas fontes?
Voltando à questão do poder dos blogs, a pseudo-reportagem foi desmascarada no ato, através do já imprescindível blog Petrobras Fatos e Dados (leia aqui e aqui) e de repercussão por diversos outros blogueiros independentes. Mais uma barbeiragem no prontuário do PiG.