terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Mídia ao Avesso (coluna no Jornal Agora de 15/dez)
“A imprensa que fiscalizava o poder está morta”
Glenn Greenwald, na revista eletrônica Salon [excerto]
O professor de Jornalismo Jay Rosen tem análise como sempre radical, criativa e provocadora de WikiLeaks, que expressou num vídeo de 14 minutos (em http://vimeo.com/17393373). Sobre por qual razão fontes valiosas preferem enviar seus documentos e outros vazamentos a WikiLeaks, em vez de enviar à imprensa-empresa tradicional, diz ele:
“No caso dos EUA, uma das razões é que a própria legitimidade da imprensa está sob suspeita, aos olhos dos vazadores. E há pelo menos uma boa razão para isso. Porque, enquanto temos o que se apresenta como “imprensa cão de guarda de valores democráticos”, temos aí – à nossa frente, para quem queira ver – o claro fracasso daquela imprensa, que evidentemente não faz o que diz que faz, que seria fiscalizar o poder; a imprensa que conhecemos não faz outra coisa além de tentar ocultar os compromissos e os objetivos do poder.
Por isso, acho que é erro desqualificar o que WikiLeaks faz sem, simultaneamente, incluir no quadro os espetaculares fracassos da imprensa que conhecemos nos últimos 10, 20, 30, 40 anos – mas sobretudo nos anos recentes. Sem a crise de legitimidade que atinge o jornalismo-empresa nos EUA, os vazadores não tenderiam a confiar tanto numa ‘estrela’ global como Julian Assange e numa organização sombria como WikiLeaks…
Eventos amplíssimos, cataclísmicos (como a guerra do Iraque) considerados dentro do regime de legitimidade, estão por trás do caso de WikiLeaks, porque, não fosse por aqueles eventos, os vazadores não teriam o apoio que têm, não teriam operado de modo solidário como operaram, nem teriam a força moral que mobilizaram para expor o que o governo Obama está de fato fazendo. A imprensa que fiscalizava o poder está morta. O que resta hoje no lugar daquela imprensa é WikiLeaks”.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Mídia, dominação e luta de classes
Prates e Pondé são figuras emergentes no Olimpo dos repetitivos popstars da grande mídia, que tem ainda o vazio Arnaldo Jabor e os Veja boys Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo entre seus membros, todos altamente irritados com o governo Lula.
Não vou entrar nos méritos do atual presidente. Mas o fato é que seu governo permitiu, sim, que muitos pobres – embora não todos – passassem a comprar mais, a realizar “planos” ou “sonhos” de consumo. Ainda que o carro não seja zero quilômetro e a viagem de avião seja comprada em uma promoção, o fato é que uma parcela da população mais pobre saiu do patamar da mera satisfação de necessidades para o nível da realização de desejos. E isso incomoda muito aos colunistas e comentaristas da mídia.
A principal função do consumo na atualidade não é satisfazer necessidades, mas diferenciar e identificar os consumidores em grupos. Ou seja: diferenciar os pobres da classe média e identificar entre si os membros da classe média. Mas e os ricos? Bem, os ricos estão acima disso tudo, seguros em sua diferença porque seu dinheiro provém do capital e não da renda e essa é uma vantagem estratosférica na lógica da diferenciação.
A partir do momento em que um pobre pode comprar as mesmas coisas que eu, que sou da classe média, pouco me diferencia dele e meu lugar privilegiado na ordem social está ameaçado. Meu pequeno consumo (no sentido de pequeno burguês) de luxo se torna algo básico e acessível a todos. Se os pobres passam a ter autonomia de consumir o mesmo que eu, eles passam a integrar o mesmo espaço que eu na pirâmide da dominação social. E isso me obriga a gastar mais, a trabalhar mais e a me endividar mais caso eu queira continuar me diferenciando pelo consumo e queira subir um degrau nessa escala. A situação é de total insegurança: meus limites estão abalados, minha estabilidade econômica também e minhas certezas mais profundas, idem. Os pobres estão mais próximos de mim do que nunca e meu pavor de me tornar um deles começa a se concretizar.
Em O Mal-Estar na Civilização, Freud mostra que é a proximidade do outro que incomoda. (O livro, um dos mais importantes de Freud para pensar a sociedade, você baixa aqui). Quanto mais semelhante ele é de nós, mais o desprezamos, principalmente porque essa semelhança ameaça a noção construída de “nós” e de “outros”. As menores diferenças nos servem para construir tal diferenciação, e Freud deu a isso o nome de “narcisismo das pequenas diferenças”, O dinheiro e, no capitalismo atual, principalmente o consumo – sim, podemos consumir sem ter dinheiro, graças a cheque especial, cartão de crédito e financiamentos – ajudam a classe média a forjar sua “pequena diferença” em relação aos pobres.
Freud é bem específico:
Um dos principais estudiosos contemporâneos da mídia, John B. Thompson mostra que todo o conteúdo produzido pela mídia é ideológico. Ele estuda os principais conceitos de ideologia da filosofia e da política – Marx, Napoleão, Lukács, Lênin, Mannheim – e elabora uma definição própria do termo: ideologia é um sistema de crenças e práticas que serve para estabelecer e sustentar as relações de dominação. (O desenvolvimento e definição literal do conceito estão em seu livro Ideologia e Cultura Moderna, Editora Vozes.) Thompson também mostra que uma das mais eficazes práticas ideológicas é a diferenciação entre “nós” e os “outros”.
Os (pseudo) intelectuais que proliferam na mídia – comentaristas e cronistas que expressam opiniões preconceituosas contra os pobres, como Pondé, Prates, Jabor, Mainardi, Azevedo – têm espaço privilegiado nos veículos e estão ali por uma razão. Eles são capazes de produzir argumentos, elaborar teses, forjar ideias, colocar em palavras a lógica nem sempre consciente de diferenciação à qual a classe média se apega para construir sua identidade e excluir os pobres de quase todos os campos da vida em sociedade. Esses “intelectuais” – alçados a esse posto não por sua competência e conhecimento, mas por dizerem o que certos grupos querem ouvir – alimentam com suas frases bem construídas a fragmentação da sociedade em camadas e a diferenciação entre cada uma delas. E não é por acaso que “situam” a diferença no universo do consumo e do prazer. São esses os elementos que humanizam o outro, o pobre, e os aproximam cada vez mais da classe média.
O ódio que expressam quando falam dos pobres é um ódio que, na verdade, poderia ser voltado a si mesmos. Odeiam-se por estarem tão próximos dos pobres, mas não conseguem enxergar essa proximidade como o que ela é: o fato de fazerem parte de uma fração mediana da pirâmide econômica, sem o capital – financeiro, social, cultural – necessário para serem alçados à classe mais alta.
As verdadeiras razões da mídia despudorada
Pra quem se vale apenas destes veículos, admira muito o Brasil ter sobrevivido à crise financeira mundial e, mais do que isso, ter saído fortalecido da mesma. Pelo noticiário mostrando "terra arrasada" a cada nova capa do lixo semanal de Veja, por exemplo, nossa economia deveria estar claudicando, o desemprego deveria ter explodido, a inflação tinha que estar em total descontrole e juros e risco-país estariam agora em níveis estratosféricos.
Como não é o que acontece, então alguma coisa deveria explicar essa psicose da grande mídia contra o governo. Só a aversão à ascensão das classes mais pobres, com quem agora as "elites intelectuais do país" têm agora que dividir espaço (como nas estradas para o litoral, não é sr. Prates?), nã é capaz de explicar os ataques sem fim. Algo mais motiva os barões da mídia. E é o de sempre: a defesa do suposto privilégio de dividir o butim, no caso, representado pela bolada que os governos (todos eles) torram a cada ano em publicidade.
Basta olhar o que ocorreu com as verbas de publicidade no governo Lula. O que antes era dividido entre poucos veículos privilegiados, agora é "espraiado" por milhares de pequenos jornais, rádios, revistas e sites, capilarizando a informação e capitalizando mais empresas, gerando empregos e, não menos importante, diminuindo a concentração do poder de informar a população - democratizando a comunicação.
Buenas, e já me espalho em excesso. Fiquem a seguir com o recente artigo do cientista político e escrito Venício Lima (publicado no Observatório da Imprensa), que desnuda os números das verbas publicitárias federais.
Publicidade oficial: onde o calo dói
No auge da disputa eleitoral de 2010, quando o governo e a grande mídia faziam acusações mútuas, o presidente Lula, em entrevista concedida ao portal Terra, travou o seguinte diálogo com seus entrevistadores:
Terra – (...) O senhor tem feito críticas duras, dizendo que a imprensa, a mídia tem um candidato e não tem coragem de assumir e, ao mesmo tempo, o contraditório diz que existiria um Projeto Político (...) para "enquadrar meios de comunicação". (...) O que mais incomoda o senhor: é a cobertura (ser) crítica de um lado e não existir a investigação sobre os demais candidatos? Seria isso? (...) O senhor está dizendo que ela [a imprensa] é desequilibrada? Só está cobrindo um lado e não está cobrindo...
Presidente Lula – (...) Eu acho que a imprensa está cumprindo um papel importante quando ela denuncia. Por quê? Ou você sabe por que alguém denunciou, ou você sabe por que alguém cobriu ou você sabe por que saiu na imprensa. Quando sai alguma coisa na imprensa você vai atrás. (...) Vou te dar um exemplo, sem citar jornal. Na campanha passada, os caras diziam, "porque o avião do Lula...", porque o Aerolula... Passando para a sociedade, disseminando umas bobagens, vai despolitizando a sociedade. Agora, estão dizendo que a TV pública é a TV do Lula. Nunca disseram que a TV pública de São Paulo é do governador de São Paulo e as outras são dos outros governadores. Agora, uma TV para um presidente que está terminando o mandato daqui a três meses, é a TV Lula. Ou seja, esse carregamento de... composto de... de muita... de muita, eu diria, de muito preconceito ou de muita até, eu diria até, às vezes, ódio, demonstra o que? (...) [a imprensa] se comporta como se o pessoal da Senzala tivesse chegando à Casa Grande. (...) Agora, a verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é essa. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais...
Terra – Nos municípios, isto tem uma capilaridade: o chefe político tal...
Presidente Lula – Então, muita gente não gostou quando, no governo, nós pegamos o dinheiro da publicidade e dividimos para o Brasil inteiro. Hoje, o jornalzinho do interior recebe uma parcela da publicidade do governo. Nós fazemos propaganda regional e a televisão regional recebe um pouco de dinheiro do governo. Quando nós distribuímos o dinheiro da cultura, por que só o eixo Rio – São Paulo e não Roraima, e não o Amazonas, e não o Pernambuco, e não o Ceará receber um pouquinho? Então, os homens da Casa Grande não gostam que isso aconteça. (Ver aqui a íntegra da entrevista.)
No trecho da entrevista acima reproduzido, o presidente Lula atribui o comportamento desequilibrado da mídia brasileira (1) ao fato de que "nove ou dez famílias" controlam a comunicação no país; (2) ao preconceito em relação a um operário ter chegado à presidência da República; e (3) à política de regionalização das verbas oficiais de publicidade iniciada em seu governo.
Que a grande mídia brasileira é olipolizada, fundada na propriedade cruzada dos meios e controlada por algumas poucas famílias, em grande parte vinculadas às velhas oligarquias políticas regionais e locais, é fato comprovado e sabido.
Que existe preconceito das "elites" brasileiras em relação à ascensão política de um operário e migrante nordestino que conquistou, em processo democrático e pelo voto, por duas vezes, a presidência da Republica, é tema que tem merecido a atenção de analistas e cientistas políticos pátrios faz tempo.
Estou, todavia, interessado na regionalização das verbas oficias de publicidade.
Mudança radical
De fato, uma importante reorientação na alocação dos recursos publicitários oficiais teve início em 2003: sem variação significativa no total da verba aplicada, o número de municípios cobertos pulou de 182 em 2003 para 2.184, em 2009, e o número de meios de comunicação programados subiu de 499 para 7.047, no mesmo período (ver quadros abaixo).
Há ainda um longo caminho a ser percorrido para que o Estado cumpra o seu papel e contribuía efetivamente para o cumprimento do "princípio da complementaridade", isto é, do equilíbrio entre os sistemas privado, público e estatal de comunicações, como reza o artigo 223 da Constituição de 1988.
Para isso, a reorientação da distribuição dos recursos da publicidade oficial precisa contribuir, de fato, para o surgimento e a consolidação dos sistemas público e comunitário de mídia no país.
De qualquer maneira, ao final de dois mandatos, a mudança de orientação na distribuição das verbas oficiais de publicidade ficará na história como talvez a principal contribuição do governo Lula no sentido da democratização das comunicações.
Dedo na ferida
Nunca é demais lembrar que o Estado tem sido – direta ou indiretamente – uma das principais e, em muitos casos, a principal fonte de financiamento da mídia privada comercial, seja ela impressa ou eletrônica. Basta verificar quais são os maiores anunciantes dos jornais, das revistas semanais e dos telejornais das redes de televisão privadas do país.
Não é sem razão que colunista – e não os proprietários – da Folha de S.Paulo já acusou o governo Lula de estar promovendo "Bolsa-Mídia" para uma "mídia de cabresto" e de "alimentar uma rede chapa-branca na base de verbas publicitárias" [cf. Fernando de Barros e Silva, "O Bolsa-Mídia de Lula" in Folha de S.Paulo, 01/06/2009].
Talvez a reorientação da distribuição dos recursos da publicidade oficial explique muito do comportamento da grande mídia nos últimos anos. Afinal, o governo Lula colocou o dedo na ferida, ou melhor, a grande mídia sabe exatamente onde o calo dói.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Senadores querem ouvir os donos da RBS
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Mídia ao Avesso (coluna do Jornal Agora)

Até uns dias atrás, Mayara Petruso era uma ilustre desconhecida. E a jovem de 21 anos, estudante do 6º semestre de Direito, possivelmente continuaria no anonimato - e a salvo de processos - se tivesse feito seus comentários preconceituosos apenas para um grupo restrito de amigos e colegas de faculdade. Quantos de nós já não fomos politicamente incorretos uma vez na vida, em conversas privadas? No entanto, a jovem paulista expressou seu desgosto com a derrota de Serra no Twitter, uma nova ferramenta de comunicação que tem um poderoso potencial de rapidíssima disseminação do que ali se escreve. Com isso, passou de uma "maria ninguém" a uma celebridade negativa em um piscar de olhos. E agora possivelmente responderá a um incômodo processo penal.
A atitude da garota é, sem dúvida, condenável. Mas Mayara não deixa de ser um bode expiatório (ou uma cabra, no caso) e mesmo uma vítima do clima que se instaurou no País após a infame campanha do tucano José Serra, patrocinada e estimulada por boa parte da grande mídia. Dentre outros casos, muito já se falou, nos últimos dias, do mapa em azul e vermelho publicado por diversos veículos de comunicação, dividindo o Brasil numa parte meridional rica e desenvolvida (que teria preferido o tucano) "contra" a parte setentrional pobre e atrasada (que teria elegido a petista Dilma). E que, como já se provou, é uma falácia. Aqui mesmo no RS, Serra teve 50,94%, contra 49,06% de Dilma. Praticamente um empate. E não me consta que o RS seja um Estado de "vagabundos", "ignorantes" ou "dependentes de esmola do governo federal", entre outras acusações absurdas que se faz contra os nordestinos.
A campanha tucana também deu sua "contribuição" para essa lamentável onda de preconceito e divisionismo no País. Quem não lembra, por acaso, de Serra, durante a campanha deste ano, citando um baiano (nordestino) como exemplo de criminoso? Ou ainda, em 2006, quando o tucano afirmou que o problema dos maus resultados da Educação em SP eram os "migrantes" (nordestinos)? Ou mesmo do discurso da derrota de Serra, quando ele parabeniza seus eleitores por terem "cavado uma grande trincheira" (para combater a quem)?
Todo esse clima beligerante e preconceituoso gerou uma predisposição em alguns eleitores, sobretudo os mais imaturos e/ou os mais fanáticos. Agora, junte-se ao mesmo caldo de rancor a decepção pela derrota e a inevitável "flauta" virtual contra os perdedores (nos orkuts, facebooks e twitters da vida) e está pronta a armadilha na qual caíram Mayara e mais uma centena de pessoas, que agora deverão responder pela ingenuidade de terem se deixado levar pelo "canto da sereia" entoado em discursos políticos udenistas e ampliado pela grande mídia.
Ainda sobre o tema, não deixa de ser preocupante a provocante enquete no ar atualmente no Agora on-line. Embora acessável do mundo inteiro, obviamente a maior parte dos leitores é do RS. Perguntados sobre o que acham de políticas de ação afirmativa como Bolsa Família e lei de cotas raciais, até a tarde desta terça-feira, 43% dos leitores respondiam considerar "incorretas, pois fazem quem produz bancar a população pobre e improdutiva".
Derrotada na eleição, a próxima bandeira levantada pelos grandes veículos é contra a Constituição da República, mais precisamente contra o art. 224, que prevê claramente a criação de um Conselho de Comunicação Social. Esse conselho - bem como seus similares em estados e municípios - visa simplesmente a garantir que os canais de radiodifusão (TVs e rádios), bens públicos por definição, não sujeitem-se apenas e tão somente a interesses de uns poucos grupos privados. É interessante notar que, apesar de constar na Constituição desde 1988 e de ter uma lei regulamentando o CCS desde 1991, atualmente não existe nenhum conselho operando no País, achacados que são justamente pela grande mídia, que os sataniza como "instrumentos de censura" à "liberdade de imprensa".
Ora, não há setor no mundo sem regulação. Por que haveria o setor de comunicação no Brasil ficar ao largo de qualquer regramento? A quem isso beneficia senão às próprias empresas que atingiram um patamar de megaconglomerados de mídia, agrupando rádios, jornais, televisões e portais de internet, tudo sob o opaco manto de um mesmo grupo? E por que nosso Congresso também não regulamenta os demais artigos da Constituição que tratam do mesmo setor, como o art. 220, § 5º (que veda expressamente o monopólio ou o oligopólio midiático) ou o 221 (que estimula o conteúdo regionalizado, a promoção da cultura, da educação e o respeito aos valores éticos e sociais)?
Estão aí ótimas bandeiras para nossa mídia empunhar nos próximos anos. De temas que, esperamos, deverão mesmo vir à tona durante o mandato de Dilma Rousseff. É uma questão de escolha. E, obviamente, de interesses e valores. Resta saber quais interesses e valores falarão mais alto.
Por Germano S. Leiteterça-feira, 2 de novembro de 2010
José Dirceu no Roda Viva
“Não existiu o mensalão”. “Você [se referindo ao jornalista Augusto Nunes] está dizendo que existiu; me dá o direito de dizer que não existiu!”.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Resposta a Noblat

Se fosse uns anos atrás, Noblat teria saído impune de suas ácidas críticas feitas em seu blog. Não que não as possa fazer... mas sequer poderia ser contraposto, já que o poder de dizer o discurso era restrito a uns poucos. Agora, felizmente, não é mais assim. E gente como Carlos Torres Moura, da pequena cidade mineira de Além Paraíba, pode externar o que pensa, com a mais ampla divulgação na internet. Mesmo a contragosto do Noblat e sua turma.
Em tempo: no blog, Ricardo Noblat diz que a Lula falta “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.
Noblat
Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?
Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria, jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.
Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.
O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.
O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala” “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.
As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca. A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar” a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia” do cargo. Ao togado basta o cinismo.
Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História. E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.
Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.
A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.
Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.
Carlos Torres Moura
Além Paraíba-MG
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Mídia ao Avesso (coluna no Jornal Agora)
Quem assistiu ao debate de segunda-feira, na Record, pode ter ficado com a mesma impressão: a campanha praticamente acabou. Durante praticamente todo o tempo, ambos os candidatos foram fracos, sem retórica, inseguros, chatos e repetitivos. É quase como uma partida de pôquer onde já fizeram todas as apostas, e agora só aguardam que as cartas sejam abertas pra ver o que vai dar.
Dois analistas, contratados pelo Estadão para acompanhar o debate, sugeriram que Dilma teria ido melhor, enquanto Serra "não convenceu" em seu novo discurso, totalmente dissociado da ideologia do PSDB. Como não tenho as credenciais de "analista", me permito discordar do alto de minha ignorância. Na minha opinião, do último debate da Record não se extrai sequer o "menos pior".
Dilma, como que se desculpando pelo discurso enfadonho, já antecipava: "quero insistir", "vou continuar", "quero voltar ao tema"... E então, dê-lhe privatização. Nervosa ou cansada, a petista gaguejou diversas vezes, e não deu resposta a repetidas acusações de que seria responsável por supostos desmandos no setor elétrico.
Serra querendo colar no PT a pecha de privatista deve ter soado ridículo principalmente para os próprios seguidores da cartilha social democrata de verniz tucanista. Embora, no fundo, tenha ficado claro que o tucano não propriamente "atacava" uma suposta privatização feita pela Petrobras antes da confirmação do pré-sal. Pareceu mais uma "defesa antecipada" do que faria, se eleito fosse. Algo como "se até vocês [petistas] fizeram, por que eu não faria, se eleito?"
Que venha o domingo de uma vez.
Por aqui, o PMDB parece cada vez mais "desintegrado". Enquanto boa parte do partido, no RS, pendeu para a candidatura tucana à presidência, alguns nomes da sigla preferiram a dissidência estadual, aderindo ao PMDB nacional, que apoia Dilma e Temer. Na semana passada, em visita ao Estado, Temer teve a companhia (e o apoio aberto) de Mendes Ribeiro Filho, Álvaro Boessio e o rio-grandino Sandro Boka. O racha se deu também na coligação do PMDB com o PDT. vieira da Cunha e Pompeo de Mattos (este último, companheiro de Fogaça na chapa derrotada por Tarso) também "dilmaram".
Com Serra, estão Fogaça, Rigotto e a executiva peemedebista, que declarou "posição favorável" ao tucano, mas deixando os filiados liberados para votarem em qualquer dos dois candidatos. Ao Agora, durante a visita de Serra a Rio Grande, o prefeito do Rio Grande, Fábio Branco, disse que não tinha ainda posição definida, mas adiantou que a "oposição radical" que o PT faz no município seria um "obstáculo" a eventual apoio seu à Dilma.
Alguns insistem em que não passa de "teoria da conspiração" achar que a grande imprensa optou veladamente por Serra e manipula seus noticiários a favor dele. Então, como explicar o modo como noticiaram o caso do jornalista Amaury Ribeiro Jr., omitindo a informação de que o material por ele coletado contra o candidato do PSDB tinha DNA tucano, servindo para proteger Aécio em uma disputa com Serra pela indicação do partido? E mais: como se explica que a grande mídia destine capas de jornais e revistas a denúncias de grampos sem áudio ou a acusações sem provas feitas por criminosos contumazes, mas não noticie uma linha sobre a farta documentação distribuída na segunda-feira aos colegas por Amaury, e que liga a campanha de José Serra à lavagem de dinheiro em paraísos fiscais?
Está tudo lá: números de conta, depósitos na conta Beacon Hill em valores que passam de US$ 1,4 milhão, ligação entre Serra, Gregório Marin Preciado e Ricardo sérgio (diretor do BB no governo FHC-Serra), sociedade entre Verônica Serra e Verônica Dantas... Tudo à disposição, prontinho para uma bela capa de Veja ou manchete da Folha e do Globo. Quem sabe até seja publicado, após as eleições!
Mino Carta escreveu: "A fidelidade canina à verdade factual é, a meu ver, o primeiro requisito da prática do jornalismo honesto". Quando publiquei, na semana passada, reportagem sobre o indiciamento do secretário de Trânsito, Enoc Guimarães, nada fiz senão me ater à verdade factual. E continuarei agindo assim, apesar de eventuais ameaças, que serão tratadas na esfera devida. Em tempo: até onde sei, o secretário não tem qualquer participação nesta atitude agressiva e antidemocrática, tomada deliberadamente por terceiros.
(publicada no Jornal Agora, em 27/10/2010)
Os cães de guarda do Serra em ação
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Coluna Mídia ao Avesso (Jornal Agora)
A ação relativa ao período da ditadura ("ditabranda", segundo a Folha de SP) é movida pelos familiares do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, torturado e assassinado nas dependências do DOI-CODI paulista, supostamente a mando do arrogante coronel Brilhante Ustra, considerado um dos principais carrascos da ditadura militar.
A morte de Merlino foi escondida pelos órgãos repressores que, dias depois, disseram que o jornalista teria "cometido suicídio", ao se jogar em frente a um "veículo não identificado" na BR-116, quando era levado a Porto Alegre para "reconhecimento de colegas militantes" (leia-se "delação sob tortura"). A verdade veio à tona tempos mais tarde: o jornalista fora torturado por cerca de 24 horas, na sede do DOI-CODI paulista, e abandonado numa solitária até a morte.
Na missa de sétimo dia de Merlino, a hipócrita crueldade: os mesmos agentes que arrancaram Merlino da casa de sua família para devolver-lhe apenas morto ocupavam os primeiros bancos da igreja, e deram os pêsames à mãe enlutada.
Quem lê o relato desta e outras atrocidades cometidas nos porões da ditadura - defendida, diga-se de passagem, inclusive em editorias de alguns dos principais veículos de comunicação da época - jamais poderá se colocar a favor de uma anistia que alcance torturadores e assassinos.
A outra ação, protocolada nesta terça-feira junto ao STF, trata-se de uma Adin por omissão. Grosso modo, é uma ação que visa a mostrar que dispositivos da Constituição estão sendo descumpridos em função da omissão do Congresso Nacional, ao deixar de editar as leis que regulamentariam determinado tema. No caso, questões relativas à regulamentação da imprensa. A ação pede regulamentação do direito de resposta, sem o qual a imprensa pode atacar reputações quase que impunemente. Pede ainda a regulamentação do art. 221 da CF, que trata do conteúdo das programações de emissoras de rádio e TV, respeitando "valores éticos e sociais".
Mas o pedido mais importante na ação é quanto ao que pede que o Congresso regulamente o art. 220 da CF, o qual proíbe o monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social. Que, atualmente, ocorre descaradamente no País, com óbvios prejuízos à formação da chamada "opinião pública", manipulada pelas diretrizes de poucas famílias detentoras de poderosos conglomerados de comunicação.
O momento atual, quando se observa a desproporcional influência exercida pela grande mídia em prol de uma das candidaturas à presidência (e, por consequência, de um determinado modelo político), é mais que propício a uma ação como esta. É fundamental.
A mídia tradicional perde força quando confrontada com novos modelos mais "horizontais" de comunicação, como ocorre hoje na internet, em blogs, fóruns de discussão, twitter etc. Ainda assim (e apesar do festival de manipulação patrocinado por alguns veículos), continua contando com parcela significativa de crédito junto à população. Me coloco como exemplo. Quando saiu a informação, no Facebook, de que uma ex-aluna da esposa de José Serra teria admitido ter feito aborto, hesitei em acreditar, e até mesmo sugeri que não disseminassem o fato, pois poderia ser uma armadilha para vitimizar o tucano. Só fui acreditar na veracidade quando vi a ex-aluna confirmar a informação a jornais tradicionais, como aos estrangeiros Página 12, Clarín, La Nacion, ou mesmo ao brasileiro Folha.
Em tempo: não entro no mérito do aborto em si. Creio que cabe muito mais às mulheres esta discussão. A questão é a hipocrisia contida nas críticas de quem, supostamente, teria praticado o mesmo ato.
O vice-presidente do Congresso Mundial Judeu, rabino Marc Schneider, disse nesta semana que acusar Israel de promover ocupação ilegal nos territórios palestinos seria "um insulto" a Israel. Pois bem, sr. rabino: então eu (e a quase totalidade da comunidade internacional) mantenho essa opinião, baseado principalmente (entre outras) nas resoluções nºs 446 e 478 da ONU. Ou seja, se este argumento é um insulto, continuarei a insultar Israel até que este Estado fascista pare de insultar os direitos humanos e o Direito Internacional.
Resolução 446 da ONU: (...) a criação de Assentamento israelita [assentamentos] por parte de Israel nos territórios árabes ocupados desde 1967 não tem validade legal e constitui um sério obstáculo para o lucro de uma paz completa...
Resolução 478 da ONU: (...) A resolução "censura nos termos mais enérgicos" a Lei de Jerusalém [aprovada por Israel, considerando Jerusalém como "cidade inteira e unificada, como capital de Israel"] e afirma que esta lei é uma violação do direito internacional e não afecta à contínua aplicabilidad em Jerusalém do Convênio de Genebra relativo à protecção de pessoas civis em tempo de guerra. Ademais, determina que a Lei de Jerusalém e todas as demais medidas e actos legislativos e administrativos adoptados por Israel, a potência ocupante, que têm alterado ou pretendam alterar o carácter e o estatuto de Jerusalém "são nulos e carentes de valor e devem deixar-se sem efeito imediatamente"...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Berlusconi assusta a Europa com a sua Lei da Mordaça

Notícias sobre crimes consumados ou com reflexos na Itália, – por um Berlusconi que fala que quer assegurar a “privacidade” dos cidadãos mas é o principal beneficiário da medida –, só podem ser dadas, pela imprensa, depois do trânsito em julgado da sentença condenatória, enquadrando-se no tipo penal não só o responsável pelo vazamento mas, também, o responsável pelo veículo informativo de mídia e o jornalista subscritor ou autor da matéria.
terça-feira, 11 de maio de 2010
O Globo e o Tijolaço (ou "Não te fresqueia, guri!")

terça-feira, 11 maio, 2010 às 10:32
A capa e o conteúdo do jornal O Globo de hoje revelaram a Serra o que um dia, num único jornal do sistema, pode fazer à sua candidatura. Não que seja diferente ao que fazem dúzias de vezes com Dilma, mas foi, como dizia uma música dos anos 60, “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.
Acostumado a mandar demitir repórteres com telefonemas, Serra perdeu a paciencia com “os comunistas do Dr. Roberto” do século 21. “Dos meus comunistas, cuido eu”, teria dito “o mais velho”, em plena ditadura, ao “ministro da justiça” (assim mesmo, entre aspas e em minúsculas) Armando Falcão. Embora não sejam mais comunistas e o Dr. Roberto não esteja mais aí, Serra mexeu num vespeiro, muito maior que o cada vez mais frágil jornal O Globo. Mexeu na Globo, no centro de comando da elite brasileira.
Embora a Miriam Leitão tenha ficado publicamente apatetada e se contido – a vingança, como dizia o personagem do Chico Anísio, “será maligna”. A edição do jornal impresso de hoje, que reproduzo aí ao lado, já mostra isso. A foto de um Serra que parece doente, alquebrado, sendo seguro na escada como um inválido que não se sustenta é o tipo de maldade atroz que ele, pela primeira vez, tem de encarar no jornal.
O título é de uma clareza solar. Traduzido, quer dizer: Serra, este é o Serra que queremos. Oposição, não pseudolulista. O império não quer almas pela metade, ele quer a vassalagem incondicional. Ele quer alguém que se ajoelhe em seu altar, renegue e maldiga sua fé passada e proclame sua conversão em alto e bom som, como fez FHC em 1995, ao dizer, já em seu discurso de posse, que vinha para destruir a “Era Vargas” e entregar, como nunca se entregara nem na ditadura, o Brasil aos grupos econômicos daqui e de fora.
Lá dentro do jornal, coube a Lord Merval Pereira colocar a coisa em letras explícitas: fala em ressurreição do ranzinza e de Serra ser o “centralizador” e “mais intervencionista do que Dilma”. Ao lado, seguia a ironia fotográfica, com uma grande foto de Dilma sorridente, ao lado de Antonio Palloci, o “homem de confiança” do mercado nos primeiros tempos do Governo Lula.
Serra tem sorte de que o Dr. Roberto não esteja mais aí, para não correr o risco de sofrer mais um dos “castigos” que gosta de impor aos “insolentes”: ser “demitido” com um telefonema. Mas vai ter de fazer seus atos de contrição, ficar comportadinho e parar de achar que é alguém com direito a ter posições próprias e pessoais, mesmo que sob a fantasia que os marqueteiros lhe desenharam.
Serra tem que exorcizar de vez suas convicções do passado, sepultar o antigo Serra que pensava no papel do Estado, no desenvolvimento, que, inconformado com a morte que a traição lhe deu, brota em espasmos como o de ontem. Não se lhe exige apenas o papel de agente da direita, querem a conversão completa ao papel que assumiu. De Fausto não se queria parte, mas tudo.
A gauchada, que não leu Dante, se expressa mais claramente: “não te fresqueia, guri”.
por Brizola Neto, de O Tijolaço
Folha: se não é pra São Paulo, não existe
Hoje, em Rio Grande, a revista Voto organizou o seminário "Rio Grande - Onde o Rio Grande Renasce". O mote é o impressionante desenvolvimento do município e região, em função do polo naval que nasce, incentivado pela política do governo federal direcionada a esse setor (nos mesmos moldes de Suape, em PE).
A ex-ministra Dilma foi uma das palestrantes. Entre vários outros fatos jornalísticos, anunciou que o governo deve investir US$ 2,68 bilhões na cidade, para a integração de plataformas e construção de cascos de plataformas em série nos novos estaleiros que por aqui pipocam.
Se procurarmos algo na Folha Online de hoje, encontraremos duas matérias sobre a visita de Dilma a Rio Grande. Da lavra do jornalista Graciliano Rocha, ambas "esqueceram" de focar no tema do seminário, nos investimentos no setor naval e no desenvolvimento da região. Afinal, haviam temas "mais relevantes", a saber:
- Dilma minimizou a importância de nunca ter concorrido à eleição;
- a posição de Dilma (de novo) sobre a autonomia do BC;
- o que a pré-candidata acha sobre eventual afastamento de Tuma Jr., novo alvo da própria Folha;
- Neymar e Ganso devem ir à Copa?
De resto, nada importa mesmo. Afinal, nem é sobre São Paulo.
Seguem as matérias publicadas pela Folha:
11/05/2010 - 12h55
Dilma defende convocação de Neymar e Ganso
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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Rio Grande (RS)
Em Rio Grande (RS), onde participa de seminário sobre a indústria naval, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu a convocação de Neymar e Ganso para disputar a Copa do Mundo pela seleção brasileira.
Ela foi questionada se costuma assistir a jogos de futebol. "Eu via, parei de ver e voltei a ver. O Neymar e o Ganso têm esse capacidade de fazer a gente olhar [futebol]. Têm esse lado brincalhão e alegre."
11/05/2010 - 15h20
Dilma diz ter acumulado experiência administrativa para governar o país
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GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Rio Grande (RS)
A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje em Rio Grande (RS) que acumulou experiência administrativa para governar o país e minimizou a importância de jamais ter concorrido em uma eleição.
"Fico pensando se às vezes não é bom isso, porque seria uma lufada de ar novo numa situação mais tradicional de fazer política", disse ela.
Sobre eventuais mudanças no Banco Central, caso fosse eleita presidente, Dilma disse que "em time que está ganhando não se mexe".
Ontem, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou que, se houver "erros calamitosos" em políticas do BC, o presidente deve interferir e opinar.
Dilma também foi questionada sobre a investigação contra o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, suspeito de ligação com um suposto integrante da máfia chinesa.
"Se ele tiver envolvimento, tem que se afastar. Não sei qual a gravidade, não tenho como avaliar. Estou falando em termos de conceito. O método é que a gente não julga ninguém previamente porque você passa a ter uma política de condenação sem direito de defesa. Se tiver fundamento a acusação, afasta", afirmou Dilma.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O abismo da Folha

Também cancelei a assinatura da Folha depois de mais de 20 anos. Cansei (e que D’urso e Hebe não me cobrem royalties) de ver a informação ser estuprada e a verdade currada diariamente. Também estou tirando o time do Uol.
Me emociono ao ver atitudes como essa, até mesmo porque estes oligopólios cometem cometem e cometem crimes como que num movimento inercial.Erram e continuam. E continuam.Até o dia em que, por não perceberem o movimento inercial em que estão, quebram a cara.Aí acordam.Às vezes acordam tarde demais.
a ditabranda foi o fim da picada para mim. o engraçado é que vendedores de assinatura da fsp me ligaram, tive que jogar na cara. E ainda recebi email da fsp; e olha que nunca fui assinante dessa porcaria.
Acabei de enviar este email cancelando minha assinatura da UOL:From: Alcino DembyTo: ombudsmandouol@uol.com.brSent: Tuesday, December 01, 2009 10:07 PMSubject: Cancelamento de assinatura
Boa noite,Desejo cancelar minha assinatura da UOL e estou formalizando este distrato através do canal do Ombudsman, considerando a inexistência no UOL SAC, seja no site ou no atendimento telefônico, de uma opção que explicitamente conduza ao encaminhamento desta solicitação. O cancelamento da assinatura UOL é um protesto contra o jornalismo irresponsável que vem sendo praticado pelo grupo Folha de São Paulo, tal como, há algum tempo, também cancelei minha assinatura do jornal Folha de São Paulo.
1/12/2009 às 21:08
Estou pensando em assinar a folha só para ter o prazer de cancelá-la depois.


