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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sarney, Dilma e o PiG


Que o tio Sarney tem muito a explicar nessas décadas em que sempre esteve casadso com o poder, até minha cadelinha sabe. Mas é lógico que os problemas dele não são de hoje (como o PiG tenta nos fazer crer). E nem os desmandos no Senado são da lavra exclusiva da velha raposa maranhense.
Por isso mesmo, fica claro que o alvo da grande mídia não é exatamente o presidente do Senado. Depois de tentar de tudo contra os objetivos principais (inclusive publicar uma ficha falsificada da pré-candidata petista Dilma Rousseff, cuja autenticidade
"não podia ser assegurada, bem como não podia ser descartada"), o que sobrou foi o ataque a partir de "vias oblíquas". Portanto, nada como colar a Sarney e aos atos secretos do Senado os verdadeiros alvos: Lula e seu provável sucessor.
Tem gente que ainda duvida desta tese. Tudo bem, cada um acredita naquilo que seus filtros lhe permitem. Em todo caso, mostro hoje mais um indício desta estratégia. Mais uma vez, a manipulação é feita a partir de imagens. E, mais uma vez, pela empresa dos Frias.
Na Folhapress, agência de notícias do grupo Folha, o objetivo é vender esta leitura (de que Dilma e Sarney seriam farinha do mesmo saco) a todos os clientes - assim, a mensagem deturpada é ampliada, sendo distribuída até mesmo nos veículos do interior (aqueles, que tiram a cada dia audiência - e verba de publicidade - dos jornalões do PiG, como a Folha já se queixou
aqui). Como? Vamos ao fato:

Às 17h03min., a Folhapress distribui a notícia de código 4412185, com o seguinte título: "Senado-Denúncias 3: Sarney vê ‘campanha nazista’ contra sua permanência no cargo". O texto fala das reclamações de Sarney contra a mídia que, segundo alega, o estaria perseguindo. Em nenhum momento, há qualquer alusão à ministra Dilma ou a caso que a envolva. No entanto (sempre tem um "no entanto"), a agência sugere, junto à notícia, que os clientes comprem também duas fotos. Numa delas, Dilma aparece de costas, cumprimentando o presidente do Senado durante visita do presidente mexicano Felipe Calderón ao Brasil. A outra, sim, é a nova pérola da Folha, que atualmente tem se notabilizado por fazer uma bobagem atrás da outra. A foto foi tirada de um ângulo que mostra a ministra e o senador na mesma imagem, porém distantes um do outro. O próprio efeito de desfoque denuncia que ambos não estão sequer próximos. Notem ainda que a legenda da foto diz, de forma enganadora, que a ministra está "ao lado" de Sarney!!!
Se o alvo da atual campanha não é a sucessão de Lula em 2010, como parece claro, então qual o motivo dessa manobra fotográfica da agência? Alguém se habilita a responder?

terça-feira, 14 de julho de 2009

Coluna semanal no Agora - Rio Grande (RS)

  • A crise no Senado parece não ter fim, depois que os senadores "descobriram" possíveis ilícitos do presidente Sarney. Embora o alvo não seja efetivamente o oligarca maranhense, a vigilante oposição segue fustigando o velho coronel. Hoje, vários ex-colegas pediram sua cabeça grisalha numa bandeja, ao bradarem por sua renúncia.

  • Já aqui nos pampas, o novo recuo da viúva do ex-assessor suicidado (Magda Koenigkan adiou depoimento que daria na Assembleia), o continuado silêncio do MPF e a falta de uma cobrança mais forte em cima dos deputados que fecham os olhos para as denúncias (sem assinar a criação da CPI da Corrupção) deram um novo alento à senhora que governa o RS. Ao menos por enquanto, as pizzas preparadas no Piratini - e servidas no restaurante da Assembleia - seguem alimentando muita gente.

  • Yeda já achou o "culpado" pela desgraça em que se meteu o Rio Grande do Sul nos últimos 20 meses: o ministro da Justiça Tarso Genro (curiosamente, líder em pesquisas de opinião para o governo estadual em 2010)! O petista Tarso é culpado pela Polícia Federal ter descoberto que pessoas ligadas ao Piratini se locupletavam de um esquema para desviar milhões do Detran. É do ministro também a culpa por descobrirem que a tucanada de Canoas (ligada ao povo do Piratini através do milionário secretário Chico Fraga) desviava dinheiro da merenda escolar. Deve ser por obra de Tarso também que políticos como José Otávio Germano foram flagrados ao telefone dizendo para um dos acusados na Operação Rodin que eram "sete um" e não "sete zero", e que poderiam ser deixados com uma secretária. Parece que, ao menos nesse meio, investigar crimes praticados por supostos corruptos é considerado desvio de conduta.

  • Apesar da histórica divergência entre pai e filha, sobrou ainda para Luciana Genro, deputada federal pelo PSOL, também nomeada por Yeda como partícipe de uma "conspiração" que paralisa o governo gaúcho. Pela lógica, fariam parte também deste grupo "suprapartidário" nomes como Adão Paiani (ex-ouvidor da Segurança, recém-exonerado do governo yedista), Paulo Feijó (vice-governador, filiado ao DEM) e Lair Ferst (até há pouco "afável" e "sempre presente" militante do PSDB gaúcho), entre outros. A pergunta que não cala, então, é: como nossa governadora conseguiu a proeza política de unir tanta gente tão diferente contra si?

terça-feira, 7 de julho de 2009

No dos outros é refresco!


Simon critica apoio de Lula a Sarney, mas cala em relação à Yeda



Em uma carta enviada hoje pelo à executiva do partido, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu a candidatura própria do partido na eleição presidencial de 2010. A carta-manifesto foi endereçada à deputada federal Ísis de Araújo, presidenta em exercício do PMDB. No texto, Simon criticou o apoio que o presidente Lula teria dado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), alvo de várias denúncias nos últimos dias. No entanto, não reservou nenhuma palavra sobre o governo Yeda e sobre apoio de deputados peemedebistas à governadora, que também enfrenta diversas denúncias, além de um pedido de CPI e outro de impeachment, na Assembleia gaúcha.


Na carta, Simon lembra a decisão do encontro estadual do partido em Porto Alegre, a expressão do partido no país, o mais votado nas últimas eleições municipais, e destaca o apoio das bases partidárias à tese da candidatura peemedebista em 2010. Segundo ele, no encontro na capital gaúcha, por unanimidade, o partido "aprovou moção, por mim apresentada, para que o PMDB tenha uma candidatura própria nas eleições presidenciais de Outubro de 2010".


Lembra ainda que a decisão partiu do cumprimento do Estatuto do partido, a partir de ofício assinado pelo deputado federal Eliseu Padilha, "secretário geral do Partido e presidente da Fundação Ulysses Guimarães, determinando a realização de Congressos estaduais com duas preocupações centrais: a definição de uma candidatura presidencial do PMDB em 2010 e a discussão de propostas peemedebistas no âmbito dos governo estaduais e federal."


Simon lamenta que, em função das denúncias no Senado, a determinação do partido perdeu força em nível nacional, "soterrada pelo escândalo de malfeitos e mau uso do dinheiro público na esfera do Senado Federal, presidida pelo PMDB". Na carta, o senador destaca ainda "um encontro entre o senador José Sarney, figura central da polêmica que hoje convulsiona esta Casa, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ficou insinuado que a força do Presidente Lula seria usada para salvar o cargo do Presidente Sarney. Teria se aventado, ali, o desdobramento político de uma eventual saída de José Sarney da presidência da Casa, o que implicaria na perda do apoio do PMDB ao PT nas eleições de 2010."


O Agora fez contato, por e-mail e diretamente por telefone, com a assessoria parlamentar para conhecer também a posição do senador acerca da crise no governo gaúcho, mas não recebeu resposta até o fechamento da edição. Entre outras perguntas, a reportagem questionava "como o senador vê a possibilidade de CPI para investigar a fundo as denúncias [contra o governo Yeda], uma vez que as mesmas recaem, inclusive, sobre membros do partido (deputados estaduais Alexandre Postal e Luiz Fernando Záchia, por exemplo)?" A assessoria informou apenas que o senador estava em recuperação de um recente problema de saúde.



por Germano S. Leite/Jornal Agora